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Defesa

Polícia preocupada com crimes e incidentes na fronteira com a RDCongo

As autoridades estão preocupadas com os “constantes crimes e incidentes” na fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), que podem comprometer a estabilidade política, económica e social dos dois países, referiu o comandante-geral da Polícia Nacional.

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Paulo Gaspar de Almeida falava na abertura do encontro de peritos da reunião bilateral de defesa e segurança com a RDCongo, que junta até quarta-feira em Luanda delegações angolana e congolesa.

A comitiva congolesa é chefiada pelo vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, Gilbert Kankonde.

“Não deixamos de estar preocupados com o registo de constantes crimes e incidentes transfronteiriços tais como imigração ilegal, contrabando de combustível, tráfico de seres humanos e de droga, tráfico de diamantes, caça furtiva, tráfico de medicamentos. São situações que, não controladas e impedidas, podem vir a afetar a estabilidade política, económica e social dos nossos países”, sublinhou o comandante-geral.

Sobre Angola, Paulo Gaspar de Almeida afirmou que vive um momento de paz e estabilidade em termos políticos e de defesa e segurança, que “infelizmente” não é acompanhado pela situação económica e social “fortemente atingida pela crise económico-financeira mundial” com a agravante da pandemia de covid-19.

“O mundo e os nossos países vivem e enfrentam os perigos e consequências provocadas pela pandemia que tem vindo a trazer muitos prejuízos às relações internacionais e, em particular, nas nossas relações socio-económicas”, notou.

Para o comandante-geral da Polícia Nacional, partilhando “uma vasta fronteira comum e relacionada, sobretudo nos domínios social, económico, cultural”, é no âmbito da defesa e segurança que Angola quer neste encontro reforçar a cooperação.

“Nesta reunião bilateral vamos criar as condições para dinamizar e estruturar o funcionamento da nossa comissão bilateral de segurança, vamos criar as bases para que esta nossa comissão seja de facto permanente”, destacou.

Angola quer aprovar três instrumentos “que vão solidificar as relações” neste âmbito: dois acordos de cooperação entre o Ministério do Interior angolano e o seu congénere congolês em matéria de defesa e segurança e circulação de pessoas, e constituição de uma comissão mista permanente de defesa e segurança entre os dois países.

A reunião da comissão bilateral, que se prolonga até quarta-feira vai analisar a situação de segurança ao longo da fronteira comum, com destaque para medidas de segurança para mitigar a propagação da covid-19 ao longo da fronteira e de prevenção e combate ao terrorismo e à imigração clandestina.

A localização, reabilitação e reposição dos marcos fronteiriços, e a análise e apreciação dos incidentes ocorridos ao longo da fronteira comum também estarão em cima da mesa do encontro bilateral.