Angola, RDCongo e ACNUR reúnem para analisar regresso espontâneo de refugiados

Uma delegação tripartida reuniu-se, em Luanda, para encontrar uma forma simplificada que vai apoiar os mais de 8000 refugiados da República Democrática do Congo (RDCongo), na província da Lunda Norte, que querem regressar ao seu país.
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No encontro participaram o secretário de Estado das Relações Exteriores, Téte António, a secretária permanente da Comissão Nacional dos Refugiados da RDCongo, Bertha Zinga, e a representante regional do Alto Comissariado das Nações Unidos para os Refugiados (ACNUR) na RDCongo, Ann Encontre.

O governante angolano referiu que o encontro previsto para "há muito tempo" tem lugar depois de milhares de refugiados congoleses terem decidido, de forma voluntária, abandonar o assentamento (campo) de Lóvua, na Lunda Norte, para as suas zonas de origem.

"Pensamos que estamos entre dois cenários, o primeiro é esta situação de emergência de milhares de pessoas em direção à RDCongo e o outro cenário de alguns que ficaram ainda no campo", referiu Téte António.

A secretária da Comissão Nacional dos Refugiados da RDCongo agradeceu o apoio dado por Angola aos seus compatriotas, que em 2017 procuraram refúgio em território angolano, devido a um conflito violento no processo de sucessão da liderança na província de Cassai.

A mesma responsável revelou que a RDCongo pretende encontrar um processo simplificado para o repatriamento dos cidadãos que espontaneamente manifestaram o desejo de regressar ao seu país, com a perspectiva do início das aulas, fixadas para 2 de Setembro.

"Estamos muito sensíveis a esta vontade expressa para a saída voluntária dos refugiados", referiu Bertha Zinga, solicitando que fosse fixada na reunião "os acordos e modalidades práticas de acompanhamento dessas pessoas vulneráveis, afim de permitir regressarem às suas zonas de origem em condições de dignidade e segurança".

Por seu lado, a representante regional do ACNUR na RDCongo lembrou que a primeira vaga de refugiados começou em 2017, com um total de 35 mil refugiados de Cassai, que vivem actualmente em Angola.

"Agradecemos o vosso apoio e as medidas de protecção tomadas. Entre estes refugiados 85 por cento deles exprimiu a vontade de regressar à RDCongo, esperando o momento do seu regresso ao seu país", salientou Ann Encontre.

A representante do ACNUR manifestou a disponibilidade da organização para coordenar com os dois países o apoio no regresso espontâneo dos refugiados que já saíram de Lóvua, com a emissão de documentação, bem como assistência.

"Também estamos prontos para trabalhar com os dois governos na organização do repatriamento dos refugiados que ainda se encontram no campo de Lóvua", frisou a Ann Encontre, sublinhando que o processo deverá garantir "toda a dignidade e segurança e a criação de condições de reintegração".

A delegação composta pelas partes poderá, nos próximos dias, deslocar-se à Lunda Norte para observar a situação e o resultado do regresso espontâneo dos refugiados.

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