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Banca e Seguros

Mais de 594 milhões de dólares das divisas de Junho serviram à reposição cambial na banca

Um quarto das divisas vendidas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial durante o mês de Junho, equivalente a mais de 594 milhões de dólares, serviu apenas para a reposição cambial na banca.

<a href='http://www.angolaimagebank.com' target='_blank'>Angola Image Bank</a>:

A informação consta de documentação disponibilizada hoje pelo BNA, dando conta que em todo o mês de Junho - quando começaram a ser implementadas várias medidas de combate à crise cambial no nosso país - o banco central vendeu 2.219 milhões de dólares de divisas aos bancos comerciais, uma diminuição de 15 por cento face ao mesmo mês de 2014.

Trata-se de um reflexo da crise cambial que o nosso país atravessa há vários meses, fruto da quebra nas receitas com a exportação de petróleo devido à descida da cotação internacional do barril de crude, que por sua vez fez diminuir a entrada de divisas, necessárias para garantir as necessidades de importação.

O banco central explica que as "vendas direccionadas" de divisas aos bancos resultam da necessidade de "assumir a responsabilidade de intervenção no mercado, para satisfazer as operações definidas como prioritárias pelo executivo", num "contexto de diminuição das disponibilidades cambiais e elevado risco de desequilíbrio do mercado cambial".

Nomeadamente a "redução dos stocks alimentares e de matérias-primas bem como de eventual paralisação dos serviços essenciais ao funcionamento da economia".

Do total de injecção de divisas em Junho, 1.125 milhões de dólares foram de "vendas direccionadas" e mais de 594 milhões de dólares destinaram-se à "reposição da posição cambial dos bancos".

"Dada as dificuldades que estes vinham apresentando, para cumprir com os compromissos perante os seus correspondentes externos, derivados de operações relacionadas com cartas de crédito e cartões internacionais de pagamento", explica o BNA, referindo-se a uma das maiores dificuldades sentidas desde o início do ano, entre trabalhadores expatriados, empresas e cidadãos nacionais.

Nesta lista de prioridades garantidas para a disponibilização de divisas foram ainda direccionadas vendas para operações de compra de bens alimentares, no valor de 79,7 milhões de dólares ou prestadoras de serviço ao sector petrolífero, de 60 milhões de dólares.

Entre outros itens, foram ainda disponibilizados 24,8 milhões de dólares para companhias aéreas - a portuguesa TAP é uma das empresas que se queixa desde Janeiro das dificuldades em transferências de divisas referentes às vendas em Angola -, e de 20 milhões de dólares para pagamentos de salários ou de 3,8 milhões de dólares para o pagamento de bolsas de estudo no estrangeiro.

Os bancos BFA, com 396,7 milhões de dólares, BAI, com 393,1 milhões de dólares, e BIC, com 302,7 milhões de dólares foram as instituições bancárias que mais divisas compraram ao banco central durante o mês de Junho.

No âmbito das medidas para travar a crise cambial, Junho marcou o início da venda de divisas directamente pelo BNA às casas de câmbio (antes tinham de adquirir aos bancos, que por sua vez alegavam não ter em quantidade suficiente), no montante de 35,8 milhões de dólares durante todo o mês.