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Media brasileiros dizem que PR rejeitou receber parlamentares para discutir a situação da IURD

O Presidente, João Manuel Lourenço, rejeitou receber uma delegação parlamentar brasileira que pretende defender os interesses da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no país africano, informou esta Terça-feira o jornal Folha de S.Paulo.

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O pedido para que Lourenço aceitasse se encontrar com uma missão liderada pelo deputado Marcos Pereira, bispo licenciado da IURD, terá sido feito pelo vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, durante a última cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), celebrada na semana passada em Luanda.

Eleito com forte apoio dos evangélicos, entre eles parlamentares que são bispos da IURD, o Governo brasileiro liderado pelo Presidente, Jair Bolsonaro, tem sido cobrado pela IURD a interferir na defesa da instituição em Angola, onde a igreja enfrenta uma crise desde 2019.

Segundo os 'media' brasileiros, Bolsonaro escalou Mourão para fazer um apelo a Lourenço em favor da IURD, aproveitando para tanto a agenda da CPLP.

Em entrevista à Lusa na cúpula da CPLP, Mourão já havia afirmado que pretendia debater o tema e defendeu que "essa questão da Igreja Universal aqui [em Angola] é uma questão que afecta o Governo e a sociedade brasileira pela penetração que essa igreja tem e pela participação política que ela possui [no Brasil], com um partido que é o Partido Republicano, que representa o pessoal da Igreja."

"O Governo brasileiro gostaria que se chegasse a um consenso entre essas duas partes e que aqui o Estado angolano recebesse a delegação parlamentar brasileira que quer vir aqui para tentar chegar a um acordo e a um ponto em que se arrefeça as diferenças que ocorreram", referiu Mourão.

A Folha destacou, citando interlocutores com conhecimento sobre o assunto, que num encontro bilateral com Lourenço o vice-presidente brasileiro pediu a ele um tratamento justo à IURD nos processos judiciais que correm contra a denominação em Angola e solicitou ao Presidente angolano que recebesse a missão de parlamentares evangélicos em Angola.

Lourenço, por sua vez, terá respondido que não era adequado que uma delegação de congressistas brasileiros fosse recebida por ele, mas disse que os parlamentares seriam bem-vindos num encontro com deputados angolanos, sempre que devidamente convidados pelo Congresso de Angola.

Questionado nesta terça-feira sobre o pedido que terá feito ao chefe de Estado de Angola, Mourão não mencionou a alegada recusa e disse aos 'media' locais que a viagem dos parlamentares está ser negociada pela embaixada brasileira e o Ministério de Relações Exteriores angolano e, por enquanto, "não há resposta sobre isso."

Em causa está um conflito interno da IURD no país africano, que dividiu os seus membros em duas alas, uma liderada até hoje pelo bispo brasileiro Honorilton Gonçalves e a outra pelo bispo angolano Valente Bezerra.

O conflito teve o seu início em Novembro de 2019, quando um grupo de dissidentes angolanos decidiu afastar-se da direcção brasileira com várias alegações de crimes, nomeadamente de evasão de divisas, racismo, prática obrigatória de vasectomia, entre outras.

Os missionários da igreja criada pelo brasileiro Edir Macedo negaram as acusações e acusaram também os angolanos de xenofobia e agressões.

Na justiça angolana - depois de iniciadas as divergências entre as partes, agravadas com a tomada pela força de templos em todo o país - tramitam vários processos judiciais relacionados com a IURD Angola.

A Comissão de Reforma de pastores angolanos foi legitimada pelo Estado angolano, tendo a nova direcção da IURD, encabeçada pelo bispo Valente Bezerra, sido eleita em assembleia-geral em 13 de Fevereiro.

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