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“Gostava de ver a CPLP intervir na Defesa em conjunto”, diz ministro da defesa português

O ministro da Defesa Nacional de Portugal, João Gomes Cravinho, defendeu esta Quarta-feira a participação conjunta da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em missões militares, nomeadamente em Moçambique, mas admitiu que isso ainda não é possível.

: Ministro da Defesa Nacional de Portugal, João Gomes Cravinho
Ministro da Defesa Nacional de Portugal, João Gomes Cravinho  

"A CPLP actualmente não tem mecanismos para intervir, nem Moçambique pediu ajuda à CPLP", disse João Gomes Cravinho aos deputados da comissão parlamentar de Defesa Nacional, que ouviram esta Quarta-feira o ministro sobre a situação em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, a pedido do CDS/PP.

"Não descarto a possibilidade, pelo contrário, gostava de ver na CPLP o desenvolvimento de intervenção enquanto CPLP, particularmente para apoio a outros países membros da comunidade, e uma capacidade que tanto pode ter valências como a formação, como resposta a situações de emergência que requereriam capacidades militares, mas ainda não há maturidade institucional neste domínio da área da defesa para se fazer no âmbito de CPLP", disse o governante, durante a audição.

Em declarações à Lusa no final da reunião, Gomes Cravinho explicou que "a discussão sobre a possibilidade de haver missões de paz conjuntas é recente no âmbito da CPLP" e lembrou que há vantagens por alguns países estarem habituados a contribuir para missões de paz nas Nações Unidas, e outros já terem recebido os chamados 'capacetes azuis' da ONU.

"A CPLP tem países como Portugal e Brasil, com longa tradição de desenvolvimento em missões de paz na ONU, e há o caso de Timor-Leste, Angola, Guiné-Bissau, que tiveram missões da ONU nos seus territórios e isso em si mesmo é uma grande riqueza, permite que a CPLP venha a desenvolver, com diálogo entre os ministros da Defesa, uma valência de participação em missões de paz", disse o ministro à Lusa.

A nível bilateral, Portugal tem previsto o envio de cerca de 60 militares para ajudar na formação de tropas moçambicanas no âmbito do combate ao terrorismo.

Na semana passada, a União Europeia (UE) aprovou o lançamento de uma missão de formação militar em Moçambique que visa "treinar e apoiar as Forças Armadas Moçambicanas" no "restabelecimento da segurança" em Cabo Delgado, que será liderada pelo brigadeiro-general português Nuno Lemos Pires.

Já a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aprovou numa cimeira extraordinária, no final de Junho, o envio de forças para o norte de Moçambique e uma missão avançada deveria ter chegado esta semana ao país, o que não aconteceu.

Além destas forças, chegou a Moçambique, no passado dia 9, um primeiro contingente de tropas ruandesas, que também vão apoiar o país lusófono, no âmbito de um acordo bilateral, mas esta presença tem sido contestada pela oposição, que critica o facto de o Governo não ter informado o parlamento.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo Estado Islâmico. Há mais de 2800 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e 732.000 deslocados, de acordo com as Nações Unidas.

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