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Produção e Investigação Científica em Angola: Em que caminho estamos?

Neidelênio Baltazar Soares

Estudante do Curso de Química da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Um dos principais pilares para o desenvolvimento socioeconômico, cultural das sociedades modernas é o conhecimento cientifico. A investigação cientifica, é nos dias actuais e sem sombras de dúvidas um equipamento fundamental e essencial para promoção de uma sociedade equipada e preparada para o futuro. E para que haja investigação cientifica é necessário discutir questões que contrariam e impedem esse processo.

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O desenvolvimento das sociedades, é fortemente marcado por anos de pesquisas e avanços tecnológicos, que são superados todos os dias por pesquisadores que se renovam a cada etapa do fazer ciência, motivados por novos resultados e novas pesquisas.

Oscar Sala escrevendo sobre O Papel da Ciência na Sociedade afirmou que "uma das principais características da civilização moderna é o extraordinário desenvolvimento da pesquisa científica, seja ela básica ou aplicada. Ciência e Tecnologia constituem as fontes principais de criatividade e dinamização da sociedade moderna.

Em Angola, o insucesso e a dificuldade de investigação científica são muitas vezes apontados pela falta de investimento e interesse político em apostar no sector. A ex-ministra da Educação, Maria Sambo, participando do evento Semana da Ciência Portugal-Angola, reconheceu que a investigação cientifica em angola enfrenta dois grandes obstáculos, nomeadamente: falta de financiamento e a escassez de investigadores.

No relatório de 2015 apresentado pela UNESCO, indica que Angola está numa posição desfavorável em relação ao número de artigos científicos indexados em publicações internacionais. No referido ano, Angola tinha apenas dois artigos por um milhão de habitantes, ao passo que África do Sul havia publicado mais de cem artigos em revistas internacionais no mesmo ano. (CAMBALA, 2019)

Foi aprovado em Angola o Decreto n.°2/01 de 19 de Janeiro do Ministério da Ciência e Tecnologia, que institui a carreira de investigador cientifico com um regime especial com integrações de funções técnico-cientifica. Afirmar que existe falta de investigadores gera bastante descontentamento, pois sabemos que existe processos seletivos para ingressos de investigadores, e a questão que se coloca é: Onde estão os investigadores do país? O que se tem feito em prol da investigação e produção cientifica? O que está faltando para o desenvolvimento de uma cultura cientifica em Angola?

O Docente Universitário Belarmino Vandunem, em um debate protagonizado pela Rádio Nacional de Angola sobre o tema "Investigação cientifica em Angola, afirmou que a nossa maneira de fazer ciência é doentia, existe mais reprodução dos saberes nas universidades do que construção de ciência, ainda verifica-se um quantitativo de professor que não produzem, não pesquisam, e enxergam as Universidades apenas como um meio de atingir os seus fins.

Diante das circunstâncias e da procura de soluções para resolver os problemas da nossa sociedade, como por exemplo a diversificação da economia, é imprescindível que haja incentivo para produção do conhecimento científico, de forma que seja acessível para todos. Uma vez que Investimento em ciências, tecnologias e inovação tem se mostrado a alternativa vislumbrada por muitos países para dar resposta a essas questões.

Angola disponibiliza para o presente ano (0,05%) equivalente a 7.480.033.189,00 kz, do seu PIB (Produto Interno Bruto), destinado para Melhoria da Qualidade do Ensino Superior e Desenvolvimento da Investigação Cientifica e Tecnológica, conforme foi divulgado no Relatório do Ministério das finanças. Um valor
considerado pouco quando comparado com alguns países africanos que apresentam um "PIB" menor que Angola, como por exemplo o Malawi.

Existem diversos projectos em andamento sobre investigação cientifica em Angola, um deles é PDCT (Projecto de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia) que recebe um financiamento de 90% do BAD (Banco Africano de Desenvolvimento), e recebe apenas 10% do Governo angolano ficando nítida as afirmações acerca de pouco investimento em melhorar o actual quadro.

Segundo uma entrevista ao Jornal de Angola, o director do projecto indicou que o financiamento fornecido pela "BAD", vai servir para minimizar as insuficiências a nível das infraestruturas, recursos humanos e publicações, porém é necessário mais ações para desenvolver um cultura cientifica no país com objetivo de colmatar os problemas que enfrentamos.

Aqui trago algumas verdades do actual sistema de investigação cientifica do país, que tem enfrentando diversos problemas como sabemos.

No entanto, contatou-se, que é urgente e necessário a criação de um sistema que vela pela investigação cientifica em Angola, onde os pesquisadores não sejam cativos da boa vontade política em gerar investimentos para o sector.

Precisamos de um sistema que deve integrar alguns aspectos bastante fundamental na busca pela promoção e investigação cientifica, desde: bibliotecas para facilitar as pesquisas de matérias que abordam sobre diversos temas, revistas cientificas das mais distintas áreas de formação que atendam trabalhos de estudantes, mestres, e doutores do país, incentivos (públicos e privados) de modo a impulsionar as universidades a pesquisar, e disseminação em massa de matérias científicos.

O actual estado de investigação cientifica nos mostra que ainda precisamos fazer muito para possuir uma cultura de pesquisa cientifica, e é preciso que as Universidade, empresas privadas e estatais se envolvam mais nesse processo para alcançarmos resultados satisfatórios.

Opinião de
Neidelênio Baltazar Soares