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Telecomunicações

Director financeiro diz que entrada da Africell em Angola será “transformadora” para a operadora

A entrada no “vasto” mercado angolano, o quinto país onde vai estar presente desde a estreia na Gâmbia em 2001, vai ser “transformadora” para a operadora pan-africana Africell, recentemente reestruturada, admitiu o director de investimentos, Ian Paterson.

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"Esta é uma oportunidade incrivelmente transformadora para nós mesmos, porque o tamanho da economia, o tamanho do mercado é muito vasto", disse à agência Lusa em Londres o Chief Investment Officer (CIO) da Africell.

No início de Julho foi anunciado que a Africell venceu o concurso público para se tornar a quarta operadora de telecomunicações em Angola, depois de ter sido a única a formalizar uma candidatura ao concurso.

O interesse em Angola já existia há algum tempo, mas a oportunidade surgiu com a anulação de um concurso anterior ganho pela Telstar e a abertura de um novo processo, juntamente com uma reforma do sector das telecomunicações.

"Era necessário haver uma reforma estrutural, porque, como o país em geral, a indústria de telecomunicações tinha alguns problemas fundamentais que agora começaram a ser abordados. A mudança de ambiente político, a abertura a investidores internacionais, o desejo de se tornar muito mais transparente na forma como os negócios são feitos, tornou o mercado muito mais atraente para nós", disse Paterson.

A coincidência com a abertura de um processo na Etiópia para privatizar a Ethio Telecom, que tem um monopólio apetecível de 44 milhões de utilizadores naquele país, terá desviado potenciais concorrentes, como a sul-africana MTN, a francesa Orange ou a queniana Safaricom.

"Penso que a maioria dos accionistas dos outros operadores que pudessem ter interesse em Angola foram obrigados a escolher entre Angola e a Etiópia devido à semelhança nas datas e devido ao apetite relativamente limitado em termos de risco para avançar com os dois ao mesmo tempo. Nós concluímos muito cedo que a Etiópia não era para nós, o país é ainda maior e mais complicado de cobrir do que Angola", explicou o responsável.

Para a Africell, esta expansão coincide com uma reorganização da empresa com origens no Líbano, mas desde Março registada em Jersey, uma ilha do Canal da Mancha com um regime fiscal atractivo, escolhida, vincou Paterson, "porque é uma jurisdição reconhecida internacionalmente para empresas multinacionais".

O escritório principal está agora em Londres, onde trabalham o CIO e o 'Chief Legal Officer' [director jurídico], Magase Mogale, enquanto que o fundador e presidente-executivo, Ziad Dalloul, que detém a totalidade do capital com um accionista francês não identificado, é mais activo no terreno.

Cidadão norte-americano, Dalloul esteve envolvido em projectos nas telecomunicações fixas e móveis em vários países emergentes antes de identificar o potencial da África subsaariana no início dos anos 2000.

A primeira licença que a Africell ganhou foi na Gâmbia, em 2001, onde é actualmente líder de mercado, seguindo-se a Serra Leoa em 2005, a República Democrática do Congo em 2012 e o Uganda em 2014, neste último após a aquisição do negócio no país da Orange.

Actualmente possui 12 milhões de clientes e um volume de negócios em rápido crescimento, tendo triplicado o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) nos últimos cinco anos, adiantou o CIO, embora os números não sejam públicos porque a empresa não está cotada.

É por ser uma empresa de capital privado que a Africell pode arriscar no mercado angolano, onde é um investimento a longo-prazo, enfatizou Ian Paterson.

"Existe lá uma oportunidade tremenda para nós. Vai levar tempo para alcançarmos as nossas ambições plenas, mas temos tempo para fazê-lo", admitiu.

Aos desafios de um país em transformação junta-se o impacto de uma recessão "inevitável" causada pela pandemia covid-19, que vem criar muita incerteza mas também novas perspectivas.

"De certa forma, a indústria das comunicações faz parte da solução em tentar manter o nosso estilo de vida dentro das circunstâncias", disse, antecipando um uso mais intensivo e diversificado dos telemóveis, tal como está a acontecer noutros países.