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País regista recorde de 62 novos casos de covid-19 e mais uma morte

Angola registou, nas últimas 24 horas, 62 novos casos de covid-19, o maior número desde o início da pandemia, e mais um óbito, elevando o total para 23, anunciou a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

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Os novos casos, 12 de sexo feminino e os restantes de sexo masculino, com idades entre os 2 e os 59 anos, resultaram dos rastreios que estão a ser feitos nos "centros-sentinela" aos contactos com casos positivos, de passageiros e vários aglomerados, adiantou a ministra, numa conferência de imprensa em Luanda.

Quanto ao óbito, trata-se de um homem de 41 anos, doente crítico que já estava internado há vários dias num centro de tratamento.

Angola regista já 458 casos positivos da doença, dos quais 23 óbitos, 117 recuperados e 319 activos.

A ministra adiantou que foi, entretanto, reforçada a testagem aleatória em massa nos últimos dias, "olhando para conglomerados de alto risco", como os mercados.

Neste âmbito, foram já testadas 2875 pessoas, das quais 1500 no mercado do Kikolo, e 1000 no mercado do "30", na província de Luanda, e 375 na província do Cuanza Norte.

No Kikolo, foram detectadas 87 amostras reactivas, das quais 16 IgM (com presença de anticorpos que indiciam fase activa da doença e 71 IgG (indicam que a pessoa teve contacto com o vírus mas pode estar imunizada).

No "30", 26 amostras foram reactivas, incluindo três IgM.

No Cuanza Norte, registaram-se 14 amostras reactivas (12 IgG e 2 IgM).

Estes testes serológicos servem para rastreio e detectam anticorpos relacionados com a covid-19, permitindo avaliar a imunidade da população e rastrear eventuais casos positivos, disse Sílvia Lutucuta.

As pessoas que revelaram IgM "estão a ser levadas para isolamento" e todos os casos reactivos serão testados por outro método para ter os resultados de biologia molecular (teste conhecido como RT-PCR).

Além dos mercados, foi também iniciada a testagem na Polícia Nacional, "que interage com muita frequência com os cidadãos", indicou a titular da pasta da Saúde.

A testagem em massa prossegue esta Sexta-feira nos Mártires do Kifangondo, indicou Sílvia Lutucuta.

A ministra disse também que "houve testes reactivos na província da Huíla" que estão a ser comprovados por outro método.

Devido à obrigatoriedade de testagem para pessoas que saem da província de Luanda ou do Cazengo (província do Cuanza Norte), no âmbito da cerca sanitária que se mantém nestes locais até ao dia 9 de Agosto, "houve constrangimentos", reconheceu Sílvia Lutucuta, sublinhando que se vai fazer um reforço de capacidade nas principais saídas de Luanda já a partir de Sexta-feira.

"Faremos em média 200 testes por dia", estimou.

Questionada sobre se Angola já tem transmissão comunitária da doença, a ministra admitiu: "Não estamos longe".

"Não há melhor forma senão ir mesmo à comunidade, por isso estamos a fazer testagem em grande escala para fazer amostras substanciais para aceitar a circulação comunitária, não estamos longe e temos de estar preparados", frisou a responsável, apelando à população para que acate as medidas para reduzir o impacto da doença.

Ainda assim, Sílvia Lutucuta considerou que os números que se têm detectado nos mercados são inferiores ao que era esperado.

"A expectativa era encontrar 10 por cento, mas estamos a encontrar cifras bem inferiores, uma percentagem inferor a 0,8 por cento. Ainda estamos neste cenário", assinalou.

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