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Trabalhar em Angola fica mais caro mas empresas portuguesas podem pagar menos imposto, admite advogada

A advogada Lília Azevedo disse este Domingo à Lusa que o novo pacote fiscal em Angola deverá baixar o imposto para as empresas portuguesas e aumentar a tributação sobre todos os trabalhadores, podendo chegar aos 25 por cento.

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"A alteração que deverá ter mais impacto, em especial nas empresas portuguesas que prestam serviços a empresas angolanas, ou tenham clientes em Angola, é o aumento da tributação da prestação de serviços por entidades não residentes, que actualmente tem uma retenção na fonte de imposto industrial em Angola de 6,5 por cento se a empresa não estiver a aplicar a convenção sobre dupla tributação", explicou a coordenadora do departamento fiscal da sociedade de advogados Miranda & Associados.

Em entrevista à Lusa a propósito do pacote de alterações fiscais que aguardam promulgação pelo Presidente da República, depois de terem sido aprovadas em Assembleia Nacional, a fiscalista explica que as empresas portuguesas podem ver a tributação descer para 5 por cento, em vez de aumentar para 15 por cento.

"Segundo as regras gerais, para quem não aplique a convenção sobre dupla tributação, há uma tributação de 6,5 por cento, que é expectável que venha a subir para 15 por cento, um aumento considerável, mas existindo uma convenção para evitar a dupla tributação entre Portugal e Angola, aplicando-se a convenção, a taxa baixa para 5 por cento", disse a fiscalista.

Isto, apontou, "coloca as empresas portuguesas numa considerável vantagem competitiva em termos de custo fiscal da prestação de serviços em Angola", já que Angola só tem um acordo para evitar a dupla tributação com Portugal.

Na entrevista à Lusa, a advogada coordenadora do departamento fiscal da Miranda explicou que são esperadas alterações às leis ficais no âmbito do imposto industrial, ou seja, o rendimento das empresas, do código dos impostos sobre rendimento dos trabalhadores, e ainda alterações mais gerais sobre o relacionamento entre os contribuintes e as autoridades angolanas.

"Para as empresas que tenham sucursais em Angola há uma redução da taxa de imposto industrial de 30 por cento para 25 por cento, e existe também a possibilidade de alargar o reporte de prejuízos de três para cinco anos, o que pode ter importância para as empresas portuguesas com sucursais no país devido à grande desvalorização do kwanza", apontou a fiscalista.

"Em termos de imposto sobre o rendimento do trabalho, há um agravamento da tributação, já que neste momento as taxas de imposto vão entre os 7 e os 17 por cento, e prevê-se que subam para entre os 9 e os 25 por cento", disse Lília Azevedo, salientando que "isto afecta todos os trabalhadores nacionais ou estrangeiros que trabalham no país, e por isso afectará os expatriados portugueses certamente".

Questionada sobre se as alterações têm um objectivo genérico subjacente, Lília Azevedo respondeu que não e argumentou que a ideia enquadra-se mais "num esforço para implementar uma legislação moderna, que siga as melhores práticas internacionais" e lembrou que a reforma fiscal em Angola tem vindo a ser feita desde 2011.

Na apresentação das linhas gerais destas propostas perante os deputados, a 24 de Abril, a ministra das Finanças, Vera Daves, disse que o objectivo fundamental das alterações é "tornar ou desonerar a carga fiscal nos rendimentos mais baixos, conservar ou manter a carga fiscal dos rendimentos de escalões intermédios e introduzir progressividade nos rendimentos mais altos".

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