Portugal vê relações com Angola num “momento novo” e pede aposta aos empresários

O secretário de Estado da Internacionalização de Portugal, Eurico Brilhante Dias, afirmou, em Luanda, que as relações com Angola vivem "um momento novo" e que a prioridade económica é retomar os números anteriores de exportadores nacionais.
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A posição foi transmitida pelo governante português, durante na 34.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), que decorre até Sábado, com cerca de 40 empresas portuguesas representadas, entre um total de 370 expositores.

"Apoiar as empresas portuguesas neste momento é muito importante porque, depois de alguns anos em que Angola, e a relação de Portugal com Angola, viu Portugal perder alguns exportadores, nós estamos claramente numa inversão", assumiu o governante, em declarações aos jornalistas, junto à área de exposição organizada pela Associação Empresarial de Portugal, com 19 empresas nacionais.

Acrescentou que o número empresas portuguesas exportadoras para Angola aumentou em 2016 e 2017, tendência que o Governo português pretende ver prolongada, anualmente, nos próximos dois anos: "Que possam ser anos de retomar o número de exportadores que Portugal já teve, e hoje não tem, e para reafirmar a prioridade estratégica que é a relação Portugal-Angola".

O secretário de Estado da Internacionalização esteve durante dois dias de visita a Angola, tendo tido na agenda reuniões com vários membros do Governo angolano e justificando-as como forma de "apoiar as empresas portuguesas".

"Vivemos um momento novo", sublinhou, no sentido em que está "ultrapassado o irritante" nas relações entre os dois países – em alusão ao desfecho do processo judicial em torno do ex-vice-Presidente, Manuel Vicente – que "podem recuperar a dimensão estratégica que têm e sempre tiveram".

Durante a visita aos expositores de Portugal, o governante foi acompanhado pelo ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, e da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga, entre outros ministros e membros do Governo angolano.

Sobre as empresas portuguesas presentes na FILDA, e no mercado de Angola, em praticamente todas as áreas, o governante adiantou que "podem acrescentar valor à economia angolana", tendo em conta o objectivo de diversificação da economia do Governo angolano.

Numa altura em que a crise ainda condiciona a vida das empresas e trabalhadores portugueses em Angola, desde logo com as dificuldades em repatriar lucros e salários, com meses de atraso devido à falta de divisas, Eurico Brilhante Dias admitiu que o assunto está na esfera de preocupação do Governo.

"E nisso continuamos a trabalhar, devo dizer, num óptimo ambiente, com o Governo angolano, mas há problemas para resolver. E é isso que o Governo português faz, é procurar resolver e as empresas e os trabalhadores portugueses", afirmou, sem adiantar mais pormenores, antes das reuniões em Luanda.

De acordo com dados do Governo português, as exportações de bens e serviços de Portugal para Angola totalizaram 2786 milhões de euros, representando uma subida de 298 milhões de euros face a 2016.

Além disso, no último ano, mais de 5000 empresas portuguesas exportaram para o mercado nacional, registo que compara com o período antes da crise provocada pela quebra nas receitas com a exportação de petróleo, que era de mais de 9000.

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