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Saúde

Angola forma técnicos de saúde para combater doenças que afectam três milhões de pessoas

As autoridades sanitárias angolanas começam hoje a formar 35 técnicos de saúde para actualizar o levantamento sobre as áreas afectadas pela oncocercose e a loase, doenças que ameaçam cerca de três milhões de pessoas em onze províncias.

Rick Rowell:

A oncocercose, também conhecida como a cegueira dos rios, é uma doença provocada pela picada da mosca preta, causando nódulos no corpo, prurido, por vezes descoloração e perda de elasticidade da pele, tendo como complicação principal causa a cegueira. A loase é igualmente uma doença da pele e dos olhos, causada pela picada da mosca vermelha, provocando o seu inchaço e coceira.

A formação, com a duração de três dias, abrange 35 técnicos de 12 províncias, incluindo da capital angolana. Em declarações à agência Lusa, o chefe do Programa das Doenças Tropicais Negligenciadas da Direcção Nacional de Saúde Pública, Pedro Van-Dúnem, disse que o seminário tem como objectivo actualizar a cartografia existente há 13 anos.

Segundo Pedro Van-Dúnem, em 2002 foi realizada uma investigação sobre a existência da doença, mas baseada apenas no exame físico, pretendendo-se agora o dado laboratorial, para confirmar a existência do parasita no organismo.

A formação de três dias tem o apoio de peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e inclui ferramentas como a colheita e leitura de dados, leitura das biopsias cutâneas e sanguínea da oncocercose e colheita e leitura das gotas espessas da loase. "Em 2005/2006, algumas províncias fizeram tratamento com mectizan e essas províncias certamente melhoraram o seu estado de existência e distribuição do parasita, quer dizer que reduziu, agora precisamos confirmar a redução ou não da doença", explicou Pedro Van-Dúnem.

Naquelas províncias onde não se realizou o tratamento devido às limitações de acesso existentes na altura, este estudo vai permitir verificar se aumentou ou confirmar se existe ou não, "é esta a importância deste trabalho".

Pedro Van-Dúnem disse que, de acordo com os dados disponíveis, a oncocercose está presente em 11 das 18 províncias angolanas e a loase, sem informação certa, estima-se a sua existência em várias províncias. "Temos conhecimento das duas doenças nas províncias do Bié, Cabinda e Zaire, onde além de oncocercose também temos a loase", frisou, acrescentando que é um estudo investigativo em que será concentrada atenção essencialmente na recolha de provas que permitam dizer qual é a situação da doença em Angola.