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Governo precisa de cortar no investimento para travar dívida pública, diz economista

O economista angolano Alves da Rocha defendeu esta Quinta-feira, em Luanda, que o Governo deverá fazer cortes em alguns investimentos públicos, seleccionados mais por considerações políticas do que económicas, se não quiser aumentar muito a dívida pública.

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"Esta é uma área onde o Governo não consegue aumentar a sua eficiência", afirmou o docente universitário, em declarações à agência Lusa, lembrando que o Governo criou uma unidade de acompanhamento e controlo da execução do investimento público.

Contudo, no investimento público, sublinhou o economista, "há muito tráfico de influência, há muito dinheiro que se esvai no contexto deste tráfico de influência".

"Os projectos de investimentos públicos são seleccionados muito mais na base de considerações políticas do que considerações de eficiência económica de retorno dos investimentos que o Estado faz, retorno em termos económico, retorno em termos sociais", referiu.

Comentando a reforma do Estado e reestruturação governamental, com eliminação de alguns departamentos, Alves da Rocha considerou ser "necessária", mas disse que é preciso ver de facto "se há redução do número de pessoas, nomeadamente dos dirigentes destas instituições que foram eliminadas" e "se a contrapartida é no sentido de haver um aumento da produtividade e da eficiência".

"Porque quando se reduz o número de pessoas, aquelas que ficam têm de trabalhar mais, aumenta-se a produtividade, mas aquelas que ficam também terão de trabalhar melhor, aumentando-se a eficiência. Será que os quadros da função pública e dos institutos públicos perante os salários que são praticados têm essa noção, essa paixão para trabalhar? Não sei, é uma dúvida", disse.

A Comissão Interministerial para a Reforma do Estado, que se reuniu na Terça-feira, aprovou um relatório sobre a reforma e redimensionamento dos institutos públicos, do qual resultaram propostas de transformação, fusão e extinção de vários institutos públicos.

O programa prevê reduzir o número de institutos públicos de 144 para 102 para aumentar a eficiência na prestação de serviços e reduzir a despesa estrutural desnecessária, permitindo, segundo o executivo, uma poupança de mil milhões de kwanzas anuais de despesas com pessoal.

Em relação a encargos de bens e serviços, o Estado vai poupar três mil milhões de kwanzas.

O objectivo é também evitar a duplicidade dos serviços públicos para assegurar eficiência organizativa e eficácia operacional.

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