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Economia

Alves da Rocha: taxa de desemprego de 32 por cento representa “uma catástrofe”

O economista Manuel Alves da Rocha disse na Quarta-feira que a taxa de desemprego em Angola, de 32 por cento, e a da juventude, que subiu para cerca de 58 por cento, representam uma "catástrofe para o país".

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"Com uma taxa de desemprego nos 32 por cento isto pode equivaler, para determinados níveis de produtividade, a uma perda de incremento do PIB à volta de sete, ou oito, ou nove milhões de dólares por ano. (...) E se a esta taxa de desemprego se junta a taxa de desemprego da juventude, que subiu para 57 ou 58 por cento, segundo os últimos dados dos INE, isto é uma catástrofe" para economia angolana, afirmou o também professor associado da Universidade Católica de Luanda.

Um outro problema é que "quando um país tem uma taxa elevada de desemprego, de 32 por cento, e esta é a última estimativa do INE [Instituto Nacional de Estatística] na sua folha informativa do primeiro trimestre de 2020, isto tem implicações directas e imediatas, que se podem prolongar a médio e a longo prazo sobre a capacidade de as famílias para consumirem. E o consumo privado é uma variável importante no Produto Interno Bruto", apontou o economista, no 'webinar' com o tema "Covid-19, Desafios e Oportunidades para a Economia de Angola", uma conversa online promovida pelo Banco BAI - Banco Africano de Investimento.

Alves da Rocha lembrou que alguns países, como Portugal após a intervenção da 'troika', alcançaram o crescimento económico graças ao consumo privado.

Por outro lado, as exportações do país, outrora um factor importante de crescimento da economia, já não o são. "Eram sobretudo as exportações petrolíferas. Porque Angola não exporta mais nada", frisou.

E o país, no entender de Alves da Rocha, perdeu a oportunidade de diversificar a economia quando esteve "a nadar em dólares, que nem um 'tio patinhas'".

Ainda ao relacionar o desemprego com a educação, considerou que há "um outro dado importante" a reter das estatísticas do INE de Angola, é que daquela percentagem de jovens desempregados "há 50 por cento, sensivelmente, que não estuda nem trabalha", apontando que podem estar em situação de pobreza.

Em Angola, "a pobreza monetária, segundo os últimos dados do INE é de 41 por cento e a pobreza multidimensional , de acordo com dados das Nações Unidas: "estamos a falar de 52 por cento".

Tudo, para concluir que Angola "tem dois factores que pesam de uma maneira tremendamente negativa sobre um dos factores de crescimento das economias que é o do consumo das famílias".

Factores que ainda são mais "penalizados pelas elevadas taxas de inflação e pelo processo de desvalorização da moeda".

Assim, "Angola, que desde 2015 que está em recessão económica" que não tem investimento privado, onde o Estado também não tem dinheiro para fazer investimentos, dificilmente atingirá o crescimento nos próximos anos, considerou.

O advogado e antigo líder do PSD Luís Marques Mendes, que também participou na mesma conferência online, considerou que Angola vive "uma tempestade perfeita" e defendeu que o país devia ponderar a criação de parcerias público-privadas para dinamizar a economia e gerar emprego.

"Angola vive uma tempestade perfeita", com três crises, a que já vinha decorrendo, a do petróleo e a da pandemia da covid-19, afirmou Marques Mendes, que participou esta Quarta-feira como 'partner' da Abreu Advogados.

"Uma solução que vale a pena ser reflectida e debatida é a ideia de porque não Angola avançar com a PPP, parcerias público-privadas", disse.

Na prática são parcerias entre o Estado e grupos privados que "num momento em que o Estado tem dificuldade em ter recursos para investir ou (...) para criar incentivos financeiros" podem ser "uma oportunidade de fazer investimento hoje, fazer obra hoje, dinamizar a economia e criar emprego", afirmou o advogado, sublinhando que o Estado paga uma parte desse investimento.

O 'webinar' contou ainda com as participações do jornalista e economista Carlos Rosado de Carvalho, do CEO da Vovó Xica Paulo Pinto de Andrade, do CEO da Moniz Silva International José Moniz da Silva, da CEO da Fazenda Pérola do Kikuxi Elizabeth dos Santos, e do CEO do Bai Luís Lelis.

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