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Pequenos e médios empresários reclamam plano de alívio económico

Pequenos e médios empresários angolanos solicitaram ao Governo a elaboração de um plano de alívio económico, nesta fase da covid-19, que passa por financiamentos com taxas bonificadas, linha de crédito com garantia do Estado e redução de impostos.

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As preocupações foram esta Quinta-feira abordadas pelos filiados da União dos Pequenos e Médios Empresários (UPME), que congrega associados do sector do comércio, com vista a encontrar soluções para a economia do país.

Em declarações à imprensa, a presidente da UPME, Beatriz Franck, relatou “as imensas dificuldades” porque passam os pequenos e médios empreendedores, desde 2016, agravada com a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“Temos dificuldades para importar a mercadoria, no acesso às divisas, ao crédito bancário, taxas elevadíssimas aduaneiras, aeroportuárias, portuárias, custo elevadíssimo do metro quadrado”, enumerou Beatriz Franck.

A empresária lamentou o facto de o sector do comércio não ter sido abrangido pelas medidas de alívio económico feitas pelo executivo, pese embora garantir o maior número de empregos no país.

“O alívio fiscal também não nos beneficiou em nada, porque o grupo A era para pagar no final de Abril e o grupo B no final de Maio e agora com a cobrança coerciva do IVA, nós estamos sem condições de cumprir com essas obrigações que o Estado está a imputar a todo custo de pagar, porque não temos receitas”, frisou.

Beatriz Franck disse que já foi solicitado um encontro com o Presidente, para que oiça as preocupações deste grupo de empresários, bem como para apresentação de propostas e soluções curto prazo, com vista a garantir o emprego dos mais de 4000 funcionários do setor.

A empresária teceu críticas à equipa económica do Governo, questionando o contexto em que são baseadas as medidas de alívio económico aprovadas para esta altura.

“Porque numa situação asfixiante para o sector empresarial, eles adoptarem políticas que apenas beneficiam o Estado, isso é inconcebível. O Estado só ganha se tiver o tecido empresarial forte, porque nós é que geramos economia, que pagamos os impostos, se absorverem demais de nós quem será o maior prejudicado é o Estado, porque vai agravar a taxa de desemprego e reduzir as contribuições fiscais”, concluiu.

Entre os vários participantes ao encontro esteve João Matos, empresário no ramo do retalho de moda, que considerou as dificuldades transversais a todos, sobretudo com a situação da covid-19, “com as operações completamente paralisadas”.

Apesar da retoma agora do mercado, João Matos afirmou que “existem dificuldades enormes a nível de pagamento de salários, de cumprimento das obrigações, sejam com os fornecedores, com a banca e com a carga tributária”.

O empresário sublinhou que a crise económica que o país atravessa, há mais de cinco anos, deixou os empreendedores “completamente descapitalizados” para poderem conseguir enfrentar a pandemia.

Uma das preocupações “fulcral” para todos os operadores de centros comerciais, prende-se com a questão da renda, apontou João Matos, salientando que a mesma ainda é indexada ao dólar, o que “cria bastantes dificuldades para os operadores”.

“Aliás se repararem, nós nos maiores shoppings de Luanda estamos a ver constantes alterações de operações, isto porque o negócio está difícil, as rendas têm sido indexadas à moeda estrangeira e têm sido actualizadas. Vivemos um bocadinho da condescendência dos proprietários dos shoppings, que vão não actualizando em tempo real, mas a actualização é feita”, frisou.

Por sua vez, Valdemiro Neto, representante do sector da construção civil, lembrou que depois do sector informal este é o que mais empregos gera, nesse sentido é urgente a tomada de medidas para não elevar a taxa de desemprego no país.

De acordo com o empresário, os problemas estão identificados, apontando a falta de financiamento, de diálogo transparente com os governos provinciais, a burocracia para a cedência de documentos, entre outros.

Valdemiro Neto realçou que estão já a registar-se despedimentos nesta fase, empresas que encerraram os negócios, na ordem dos 7 por cento das cerca de 2400 pequenas e médias empresas de construção civil cadastradas, que “não conseguiram cumprir nem com o pagamento de 50 por cento dos salários”.

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