Fundação Jonas Malheiro Savimbi poderá ter a sede em Lopitanga

A UNITA está a estudar a possibilidade de instalar a sede da Fundação Jonas Malheiro Savimbi, em Lopitanga, terra natal dos pais e onde o respectivo patrono foi sepultado a 1 deste mês, disse o líder do partido.
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Numa conferência de imprensa destinada a fazer um balanço sobre as exéquias fúnebres de Jonas Savimbi, em que esteve presente toda a direcção da UNITA, Isaías Samakuva indicou que a ideia está ainda em maturação, mas que poderá tornar-se realidade, "pondo no mapa" um dos nomes de localidades mais importantes da História de Angola.

"O nome de Jonas Malheiro Savimbi atrai atenções em todo o mundo, quer queiramos ou não, tal como o foi a Jamba, o Bailundo ou o Andulo. Se assim acontecer, se a ideia avançar, não me admirarei que Lopitanga possa vir a tornar-se um ponto de visita, de peregrinação", afirmou o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Segundo Samakuva, a ideia de escolher Lopitanga, que se situa cerca de 30 quilómetros a oeste do Andulo, no norte da província do Bié, centro do país, para a sede da fundação baseia-se no facto de a UNITA pretender, tal como na Jamba, Bailundo e Andulo - "visitadas por altas personalidades internacionais" -, ajudar a manter a memória de Savimbi, tornando-a um local "histórico" e permitindo a saída do anonimato.

Samakuva lembrou que a concretização de um funeral "digno e com honra" a Jonas Savimbi constava da lista de prioridades do partido para o ano em curso e que culminou um longo processo, "com altos e baixos", iniciado em 2014.

O líder da UNITA agradeceu a todos os que se envolveram no processo das exéquias fúnebres de Savimbi, voltando a repetir o que já afirmara em Lopitanga, quando destacou o nome do Presidente João Lourenço, cujo papel foi "importante".

"A decisão [de João Lourenço] foi digna de registo, sobretudo porque se tratava de um adversário político cujo papel foi importante [na História de Angola]. Foi uma decisão sensata, pois o que estava em causa era honrar um dos fundadores da pátria", afirmou o líder da UNITA.

Samakuva sublinhou tratar-se de um gesto que "ajuda" a promover a reconciliação nacional entre os angolanos, insistindo na ideia de que a guerra civil faz parte do passado.

"As querelas pessoais e os preconceitos são cada vez menos. Aos poucos vai assistir-se à reconciliação nacional. O que se passou, passou. Culpados somos todos nós, responsáveis somos todos nós, vítimas somos todos nós", sublinhou.

Questionado sobre que o que reservará a História angolana sobre o papel de Savimbi e ainda se o primeiro líder da UNITA (1966/2002) "sobreviverá" às alegadas mentiras e críticas propagadas pelo então regime do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Samakuva desdramatizou, defendendo que, aos poucos, "a verdade virá ao de cimo".

"Jonas Savimbi já é homenageado por pessoas fora da esfera da UNITA. Vamos continuar a procurar dizer a verdades dos factos. Há muitas distorções dos factos. Vamos continuar a lutar pela verdade", respondeu.

Ainda sobre as exéquias fúnebres de Savimbi, o líder da UNITA realçou que a campanha de angariação de fundos, lançada em Fevereiro deste ano, para a cerimónia "superou as expectativas", pois o partido recolheu 83,5 milhões de kwanzas (216 mil euros) de "dezenas de milhar de anónimos".

Segundo o líder da UNITA, o custo total da cerimónia custou 490,7 milhões de kwanzas (1,27 milhões de euros), aquém dos 500 milhões de kwanzas (1,3 milhões de euros) previstos, com toda a logística ligada ao transporte de convidados estrangeiros (Portugal, Espanha, Estados Unidos, África do Sul, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué), além das dezenas de milhares de pessoas que se deslocaram pelos seus próprios meios a Lopitanga.

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