Glória Silvia: “A moda em Angola está a crescer e a marcar passos firmes e seguros”

Glória Silvia é estilista, tem 27 anos, e é a criadora da marca GRPorcelana Collection, que existe oficialmente no mercado desde 2014. Com um estilo moderno e inovador, a jovem inspira-se no quotidiano, na poesia, na música e nas cores. O gosto pela moda surgiu em tenra idade, e actualmente cria colecções para homens, mulheres e crianças. Já apresentou o seu trabalho em diversos eventos da moda angolana, e em Portugal. O seu maior sonho é internacionalizar a sua marca, e participar em desfiles nas grandes cidades da moda.
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Glória fale um pouco sobre si... Onde nasceu, cresceu, onde se formou...

Glória Silvia é uma jovem sonhadora, alegre, humilde e sobretudo simpática. Sou a segunda filha dos meus pais, e desde muito cedo sonhava em ser modelo, Miss Angola, estilista, advogada e empresária. Aos oito anos, participei num curso de moda, realizado pela escola onde estudei, e ganhei. Desde aquela data, nunca mais parei de sonhar.

Já fui modelo fotográfica... Tudo começou aos 12 anos. Já desfilei para algumas marcas nacionais, e já participei em eventos de moda em alguns países de África. A passagem pelo mundo da moda, como modelo, foi curta, mas muito feliz. Sempre luto para alcançar os meus objectivos de vida. Sou viciada em pesquisas ligadas à moda, produção de eventos e direitos humanos.

Nasci em Luanda, município da Samba, Corimba, a 8 de Outubro de 1988. Cresci no Bairro da Corimba, Maianga e Golf. Sou finalista do curso de Direito, pela Universidade Técnica de Angola. Tenho algumas formações ligadas à moda. Gosto de viajar, sempre que possível, e participo em workshops internacionais de diversos assuntos.

Como e quando surgiu o gosto pela moda?

O gosto pela moda surgiu desde muito cedo. Quando comecei a distinguir o belo do feio... (risos) Sempre me vesti de forma diferente, e era muito notada pelas pessoas. Faziam-me elogios, e algumas colegas de escola pediam-me que desenhasse algumas peças, ou opinasse como combinar as cores. Eu amava fazer isso, e continuo, até hoje, a gostar do que faço.

O que é que a inspira a criar e quais são as suas referências?

O que me inspira... Os poemas que escrevo, o quotidiano, as cores, frias e quentes... Sobretudo quando estou a ouvir uma boa música, começo logo a ter ideias e a desenhar. Como referências, tenho a minha mãe, na forma elegante e simples como ela se veste, e depois Dolce&Gabbana, Calvin Klein, a Madonna.

Como é que se define o estilo de Glória Silvia?

O meu estilo é moderno e inovador. Transmite muita harmonia, nas cores e nas combinações dos padrões. Em uma só palavra: mimo.

Fale-me um pouco da sua marca, GRPorcelana Collection. Como e quando surgiu...

GRPorcelana Collection é uma marca com espírito jovem. Surge como uma necessidade, que sempre senti, de mostrar às pessoas o que o meu “eu” guarda, em termos de cortes e tendências, que acabo desenvolvendo quando crio determinado estilo. Quando regressei de umas das viagens à Ásia, em 2013, comecei a organizar tudo e no ano seguinte, decidi lançar a marca oficialmente, no mercado nacional. Foi num dos mais conceituados eventos de moda em Angola, o Moda Luanda, com o tema Mayombe que, graças a Deus, foi um sucesso. Fui bem recebida pelo público, e por outras criadoras que também participavam. Vinham ter comigo e davam-me os parabéns pela colecção. Desde então, só tenho dado continuidade ao meu trabalho que é muito prazeroso.

Nas suas colecções, normalmente quem é o público-alvo? Mulheres, homens ou crianças?

Para mim a família é a base de tudo. Então, nas minhas colecções, o público-alvo são as mulheres, as crianças e os homens, de diferentes idades.

Quais as experiências mais marcantes, positivas e negativas, desde que ingressou no mundo da moda?

Umas das experiências mais marcantes e positiva que já me aconteceu, foi a participação no Huíla Fashion Week 2014, onde das 20 peças que criei vendi 18. Aquilo foi mal a roupa saiu do palco já lá estavam as pessoas interessadas em comprar. Foi muito bom. Senti-me aceite e segura.

Quanto à negativa, foi no mesmo evento, na hora da prova de roupas nos modelos, umas peças chave da colecção tinham desaparecido. Fiquei maluca! (risos) Enfim, foi triste o facto mas, como sempre, tinha um trunfo que usei, e foi simplesmente uma bênção.

Como vê a moda em Angola?

A moda em Angola está a crescer, e a marcar passos firmes e seguros, mas ainda é fraca em termos de eventos, para se mostrar as colecções dos criadores, e por falta de uma indústria têxtil local. O mais crítico é a falta de escolas e faculdades que leccionem cursos ligados às diversas áreas da moda. Há muita vontade por parte dos criadores em expandirem-se cada vez mais, mas não temos mercado consistente para tal. Muitas das vezes a imprensa também publica sempre as mesmas criações, e das mesmas criadoras, não dando de certa forma abertura para outros emergir.

Já apresentou colecções fora do país, como por exemplo em Portugal. Como é a adesão às suas criações por parte dos estrangeiros? E por parte dos angolanos?

Apresentei pela primeira vez em 2015 a minha colecção em Portugal. A adesão por partes dos estrangeiros marcou-me bastante, pela positiva. Em termos de vendas, é a curiosidade em saber sobre o país, e o que se veste, que vende. Procurei transmitir na minha colecção sentimentos puros, que originassem a fusão entre o afro e o europeu. Por parte dos angolanos, a adesão tem sido boa, pois o povo procura o que é nacional.

Apresentou a sua nova colecção no Benguela Fashion Week. Como é poder estar presente num dos mais prestigiados eventos de moda realizados no país?

A apresentação da nova colecção, num dos maiores e prestigiados eventos do país, foi muito vibrante e emocionante. Tanto pela interacção que tive com o público local, como pela organização do mesmo. Aliás, a cidade de Benguela tem os seus encantos maravilhosos.

Já foi premiada pelo seu trabalho como estilista? Qual o prémio que mais ambiciona?

Nunca fui premiada como estilista. Apesar de não trabalhar para o título, um prémio é sempre um reconhecimento, da existência e valorização, do meu trabalho enquanto estilista. O prémio que ambiciono ganhar... Uma categoria de melhor colecção, ou estilista do ano. Apesar de que o melhor prémio já o tenho, que são os meus clientes!

Dê-me dois ou três exemplos de peças que lhe tenham dado um especial prazer em criar.

Quando falo das minhas peças fico toda sorridente, que nem uma criança quando ganha uma boneca! (risos) Gosto mesmo muito... A peça “madiba” deu-me muito prazer em criar e, depois de feita, as pessoas foram logo dizendo que foi a melhor peça da colecção. Foi inspirada na mulher sul africana, pela sua dinâmica, e a forma como se vestem. A outra peça foi “quatro cantos”, que deu uma repercussão muito grande na imprensa, pelo corte e sedução que o vestido transmite.

Quem é que gostava de vestir?

Gostaria e quero vestir o mundo todo mas, há alguns rostos que, especificamente, gostaria de vestir, como a modelo Naomi Campbell, Cristiano Ronaldo, Anselmo Ralph e Rihanna.

Qual foi o pedido mais extravagante que um cliente lhe fez?

O pedido mais extravagante que já recebi foi de uma noiva. Esta pediu que o vestido fosse todo transparente, e que apenas as partes mais íntimas fossem cobertas.

Para si qual é o poder da moda?

A moda tem um poder influenciador. Move o mundo numa sintonia incrível. Tem o poder e o sentimento de liberdade, devido à criação livre.

Por fim, qual é o seu maior sonho e quais os seus projectos para o futuro?

O meu maior sonho é internacionalizar a minha marca, e fazer mais desfiles nas grandes cidades da moda. Os meus projectos são vários... Fazer uma pós-graduação em modelagem, fazer um curso de fotografia, e poder ter o meu escritório de advocacia.

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