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Governo realoja mais de uma centena de famílias das encostas do bairro da Boavista

Começaram, esta Quinta-feira, a ser realojadas as mais de uma centena de famílias que viviam precariamente nas encostas do bairro da Boavista, no distrito urbano do Sambizanga, e no antigo espaço do extinto mercado Roque Santeiro, na capital. As famílias vão ser enquadradas no projecto habitacional Mayé Mayé, no município de Cacuaco, distrito urbano do Sequele.

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O Governo vai realojar um total de 157 famílias que, de acordo com uma fonte ligada ao Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território, se registaram em 2012 e 2013 para serem realojadas na fase inicial do projecto.

Em declarações ao Jornal de Angola, a mesma fonte informou que nesta fase inicial vão ser realojados um total de 942 cidadãos, que compõem as 157 famílias. Avançou que os cidadãos vão ser colocados em casas do tipo T2 e T3 no projecto Mayé Mayé.

As casas vão ser atribuídas com base no agregado familiar e na dimensão das habitações que as famílias tinham no bairro da Boavista.

"O projecto habitacional Mayé Mayé, mandado construir pelo Estado para realojar as famílias que vivem em zonas de risco ou onde o Estado pretende criar outras infra-estruturas, já dispõe de energia eléctrica, água potável e estão reservados espaços para postos de saúde e esquadras de polícia", asseverou a fonte da tutela.

O Ministério da Educação, de acordo com a mesma fonte, assegurou que as crianças que frequentavam as escolas no bairro da Boavista vão ser integradas nas instituições escolares do distrito urbano do Sequele.

Esclareceu ainda que "o processo de realojamento demorava a acontecer" e, então, durante os anos que se passaram entre os registos e o arranque do projecto "apenas foram feitas actualizações com os responsáveis da Comissão de Moradores do Bairro da Boavista, de forma a evitar que os indivíduos oportunistas sabotassem o realojamento infiltrando pessoas estranhas ao processo".

Apesar de tardia, as famílias mostram-se contentes com a novidade. Fadário Cândido, presidente da Comissão de Moradores do Bairro da Boavista, aplaudiu o trabalho que está em curso e afirmou que as famílias estão felizes por receberem novas habitações.

"Aqui na Boavista há muitos becos e as casas foram construídas sem qualquer segurança. E quando chove, as famílias sofrem muito e isso já dura há mais de 20 anos. Este realojamento, embora tardio, vem tirar as pessoas do sufoco, porque estávamos cansados de esperar", disse, citado pelo Jornal de Angola.

O processo de realojamento resulta de um trabalho do Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território em conjunto com a Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, da Polícia Nacional e dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros.