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Turismo

Covid-19: turismo na África Central está a perder milhões por mês

O turismo na África Central está a perder cerca de 397 milhões de euros mensais devido à covid-19 e corre o risco de perder entre 3 e 23 por cento dos postos de trabalho neste sector, segundo um relatório divulgado.

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A conclusão consta de um Livro Branco elaborado pela "Rede de Peritos da África Central (RETAC)", referente ao mês atual, e que foi divulgado na edição online do jornal Financial Afrik.

De acordo com os autores do relatório, "as receitas mensais estão estimadas em cerca de 163 milhões de dólares [cerca de 148 milhões de euros] para o sector do turismo, excluindo o subsector da restauração, cujos dados são de difícil acesso".

"Os dados fornecidos pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) apontam para uma contribuição mensal global do turismo nos países da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) de cerca de 437 milhões de dólares (perto de 397 milhões de euros), números que podem representar as perdas relacionadas com a covid-19 em apenas um mês", lê-se no documento.

Prefaciado pelo secretário-geral do CEEAC, Ahmad Alam-Mi, o documento conta com um prefácio assinado pela ministra do Turismo e do Ambiente da República do Congo, Arlette Soudan-Nonault, segundo a qual existe um risco de perda de postos de trabalho na ordem dos 3 a 23 por cento.

O Livro Branco recorda que cerca de 3.517.380 turistas visitaram esta região em 2016, com uma receita total de cerca de 1,5 mil milhões de dólares (perto de 1,3 mil milhões de euros).

A África Central tem um total de cerca de 6800 estabelecimentos hoteleiros de todas as categorias. A duração média da estadia é de cerca de 2,4 noites e os hotéis totalizaram cerca de 7,5 milhões de dormidas em 2016, para um volume de negócios que pode ser estimado em mais de 439 milhões de dólares (cerca de 399 milhões de euros), com uma média mensal de cerca de 36,5 milhões de dólares (33,20 milhões de euros).

A grande maioria das agências de viagens está envolvida na emissão de bilhetes e, em segundo lugar, outras actividades, como reservas de hotéis e serviços aeroportuários.

Os dados recolhidos apontam para vendas anuais de cerca de 1,45 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros), só na bilhética.

Todas as agências de viagens são afetadas pelo encerramento de aeroportos ou por restrições de voos das companhias aéreas. As perdas mensais são na ordem dos 80 milhões de dólares (72,7 milhões de euros), lê-se neste Livro Branco.

A contribuição do turismo para o Produto Interno Bruto varia de país para país, oscilando entre 3,7 por cento em Angola e 24,3 por cento em São Tomé e Príncipe. O mesmo se aplica à contribuição do turismo para o emprego, que varia entre 3,2 por cento em Angola e 23,3 por cento em São Tomé e Príncipe.

A baixa capacidade de alojamento dos estabelecimentos de saúde obrigou alguns países a requisitar hotéis para alojar os doentes ou as pessoas em quarentena.
Com cerca de 3598 quilómetros de costa banhada pelas águas do Oceano Atlântico, a África Central tem 163 áreas protegidas, que ocupam uma área de 727.652 quilómetros quadrados, ou seja, cerca de 11 por cento do território desta sub-região.

Trata-se do maior potencial do continente em termos de biodiversidade. Apesar destas riquezas, a África Central posiciona-se como o último destino turístico africano, com apenas 5 por cento do fluxo para o continente.