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Economia

ONU prevê recessão de 1,8 por cento em Angola este ano

A analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas Helena Afonso disse este Domingo que a ONU prevê uma recessão de 1,8 por cento em Angola este ano, antecipando uma recuperação de 1,5 por cento em 2021.

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Em entrevista à Lusa a partir de Nova Iorque, a sede das Nações Unidas, Helena Afonso disse que prevê "que Angola continue numa recessão grave e prolongada, com um crescimento de -1,8 por cento em 2020 devido ao colapso do petróleo, menor produção petrolífera e ao impacto da pandemia da covid-19".

Para 2021, acrescentou, "a actividade económica deverá recuperar gradualmente para 1,5 por cento e os níveis de dívida são elevados e haverá uma redução acentuada da entrada de divisas externas, o que limita bastante a capacidade do país para conter e mitigar os efeitos da desaceleração económica, que poderá evoluir para um período de desequilíbrio significativo na balança de pagamentos".

Na entrevista à Lusa, Helena Afonso salientou ainda que a ajuda externa vai ser muito importante para os países africanos: "Vai ser muito importante a solidariedade não só entre países africanos, mas também a solidariedade vinda do resto do mundo; no entanto, assistimos ao contrário, e alguns países restringiram as exportações de alimentos e material médico, que são importações cruciais para o combate ao vírus em África".

"Na ONU vemos a situação de uma forma algo preocupante, África tem um potencial muito grande para ter um grande número de casos, é uma das regiões onde o número de casos mais está a crescer apesar das medidas em vigor, a capacidade é mais reduzida, mas até agora continua a ser uma das regiões menos afectadas em termos do número de casos e de mortes", disse a especialista.

"Lamentavelmente, mesmo antes de se depararem com uma crise geral de saúde, a maior parte dos países já entrou numa crise económica; muitos ainda se encontravam na fase de recuperação da crise de 2014 e estavam numa situação difícil ao entrar na pandemia, e portanto este é um teste muito grande à resiliência de África e dos africanos", acrescentou, na entrevista por telefone à Lusa a partir de Nova Iorque.