Angola assina acordo de pescas com Portugal e admite reforçar cooperação

Angola vai assinar um acordo com Portugal na área das pescas que prevê também cooperação tecnológica, disse à Lusa a ministra das Pescas e do Mar, Maria Antonieta Baptista.
Marcel Weichert:
    Marcel Weichert

“Um dos objectivos da nossa estada aqui, é, no dia 20, assinarmos um acordo com Portugal que é um parceiro muito importante para Angola”, anunciou a governante à margem do encontro Oceans Meeting, que decorre na capital portuguesa, Lisboa, até esta Sexta-feira.

O acordo traz várias novidades e envolve trocas de experiências sobre artes de pescas e inovações tecnológicas, adiantou a ministra.

“É fundamentalmente um acordo de cooperação tecnológica e investigação”, acrescentou Maria Antonieta Baptista. Quanto às possibilidades de pescas em águas angolanas, “não há promessas”, continuou a ministra, justificando que é necessário “fazer análise da biomassa”.

Angola já usa o sistema de vigilância MONICAP, desenvolvido por Portugal, para inspeccionar as actividades pesqueiras, e está empenhada no combate à pesca ilegal.

“Para Angola, a gestão dos mares passa pela defesa da economia, mas é também um problema de defesa da integridade territorial por causa da invasão dos piratas que se dedicam à pesca ilegal”, sublinhou Maria Antonieta Baptista, que pretende que o seu país se torne “um marco a nível de África”.

Questionada sobre os acordos de pesca com países terceiros, a ministra sublinhou que a visão do país é “panorâmica”: “Muito recentemente Angola foi à Rússia assinar acordos e também podemos assinar acordos com países europeus sem ter de passar pela União Europeia”, como Portugal.

Outros países lusófonos, como São Tomé e Príncipe estão também na rota da cooperação com Angola.

“[São Tomé e Príncipe] quer a nossa colaboração, quer que nós pesquemos aí, pela sua posição estratégica no Golfo [da Guiné] e esta é uma questão que vamos analisar”, disse a ministra.

Angola vai também levar “brevemente” à Assembleia Nacional “a possibilidade de assinar um acordo” de pesca com a SADC (Comunidade de Desenvolvimento de África Austral), à qual pertence também Moçambique.

“Precisamos da anuência da Assembleia para avaliar os benefícios para o nosso país. Se não tiver benefícios não vamos assinar”, assegurou Maria Antonieta Baptista.

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