Angola e Banco Mundial “devem casar” para ajuda ser “mais eficaz”

O Banco Mundial (BM) e o Presidente defenderam que as duas entidades “devem casar” para que se torne "mais eficaz" a ajuda à implementação das políticas económicas em curso em Angola, disse um representante da instituição financeira.
Pedro Parente:
    Pedro Parente

"Conversámos sobre como o BM pode contribuir da melhor forma possível para o Governo. Estamos muito impressionados com a política económica que está a ser seguida e o termo que foi usado pelo Presidente, e por nós, é que vamos fazer um casamento entre o BM e o Governo de Angola de forma a que o BM seja o mais efectivo e eficaz possível na ajuda ao Governo na implementação das políticas, que estão a ir, de certeza absoluta, numa direcção correcta", afirmou Fábio Kanczuk.

O director executivo do Banco Mundial e porta-voz da missão da instituição que efectua uma visita de trabalho de três dias a Angola falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial, em Luanda.

O economista brasileiro Fábio Kanczuk destacou que as “prioridades do casamento" passam pela aprovação pelo Conselho de Administração do banco, que se reunirá a 27 de Junho, de um novo pacote de financiamento a projectos solicitado por Angola, avaliado em 1200 milhões de dólares.

"[São] várias prioridades. O Banco Mundial deve ajudar num novo programa de 1200 milhões de dólares em áreas como a agricultura, estatísticas económicas, água, electricidade e capital humano em geral. É multifacetado, um mundo de ângulos possíveis em que o BM deve esforçar-se para ajudar o país", acrescentou.

Por seu lado, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, que acompanhou a delegação de 10 directores executivos do BM na visita a João Lourenço, salientou que "o casamento vem num momento apropriado", sobretudo porque se está a lidar com uma instituição como o Banco Mundial, destacando a importância de as facilidades de financiamento serem "diferentes das outras, comerciais".

"Os custos de financiamento são praticamente concessionais, com taxas de juro muito mais competitivas, com períodos de maturidade muito mais longos, além da especialidade de uma instituição como o BM, que aposta fortemente no investimento e no capital humano, em sectores como os sociais, ligados à educação, saúde e protecção social dos mais desfavorecidos", disse Archer Mangueira.

Para o ministro das Finanças, o financiamento vai também permitir apoiar o desenvolvimento de infra-estruturas que irão "alavancar o sector produtivo, como a energia e águas, telecomunicações, essencialmente".

"Esta missão, de directores executivos do BM, enquadra-se num momento apropriado, uma vez que antecipa a reunião do Conselho de Administração do Banco Mundial prevista para [27 de] Junho, e é o Conselho que vai tratar das solicitações de financiamento que Angola fez. Vai, em princípio, apreciar as propostas de financiamento nos diferentes domínios", sublinhou.

Archer Mangueira assegurou, por outro lado, que o montante do novo pacote de financiamento de 1200 milhões de euros foi já apresentado ao Banco Mundial e que, em princípio, não se está a falar de qualquer outra solicitação adicional.

Momentos antes, e após um encontro com o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, o economista brasileiro garantiu aos jornalistas que o Banco Mundial "não tem dúvidas" sobre os "bons resultados previsto nas reformas económicas em curso em Angola e mostrou-se disponível para apoiar "sem limites" a diversificação da economia no país.

"Há também [as reformas] na liberalização da moeda, no ajuste fiscal, nas privatizações, no relançamento do sector privado, na melhoria regulatória, na maior liberdade de imprensa, no combate à corrupção e na melhoria dos processos ligados à competitividade. São diversos tópicos sobre esse relançamento do país que o BM não tem dúvida de que são as políticas económicas correctas e que vão dar certo", disse.

A missão do BM a Angola, que se prolonga até Sábado, integra 10 dos 25 directores executivos da instituição, que, além dos encontros oficiais, visitarão alguns dos projectos que financia, nomeadamente ligados à água, agricultura, saúde e estatísticas, entre outros.

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