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Economia

Banco de Angola mantém injecção semanal de divisas em 300 milhões de dólares

O Banco Nacional de Angola (BNA) manteve em 300 milhões de dólares pela terceira semana consecutiva, o volume da venda de divisas à banca comercial angolana.

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De acordo com o relatório semanal sobre a evolução dos mercados monetário e cambial do BNA, ao qual a Lusa teve hoje acesso, as vendas entre 18 a 22 de Maio foram concretizadas a uma taxa média de referência do mercado cambial interbancário de 110,582 kwanzas por cada dólar, renovando máximos de vários meses.

Trata-se de um valor idêntico às duas semanas anteriores, de acordo com dados do BNA compilados pela Lusa.

Durante o mês de Abril, a injeção de divisas pelo BNA rondou (até) 310 milhões de dólares semanais, mas persistem as dificuldades de empresas e clientes no acesso a divisas nos bancos comerciais.

O dólar norte-americano disparou mais de 12 por cento, face ao kwanza angolano, nos últimos sete meses, acompanhando a escassez de divisas devido à quebra nas receitas petrolíferas e com reflexos no custo de vida.

O governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior, anunciou este mês que o executivo angolano pretende limitar o acesso a divisas, em função da quebra da cotação internacional do barril de crude, que por sua vez fez diminuir a entrada da moeda norte-americana no país.

Entretanto, cada nota de dólar continua a ser transaccionada nas ruas de Luanda a mais de 170 kwanzas, sendo este um recurso devido às limitações no acesso a divisas pelo sistema bancário.

Algumas indústrias têm vindo a confirmar a redução da actividade laboral devido à falta de acesso a matéria-prima importada, tendo em conta os atrasos nos pagamentos de facturas internacionais (em divisas).

Em 2014, até ao mês de Outubro, a venda de cada dólar cifrou-se sempre em menos de 100 kwanzas.

A situação reflecte-se também no dia-a-dia, no aumento dos preços (reconhecido pelas autoridades angolanas), com o argumento da grande dependência angolana das importações.

Transacções que são feitas em dólares e que, por isso, estarão agora mais caras, face ao kwanza, afectando nomeadamente produtos alimentares. Os sindicatos angolanos apelaram nos últimos dias à tomada de medidas, pelo executivo, para colmatar o agravamento do custo de vida no país.

O petróleo representou cerca de 70 por cento das receitas fiscais angolanas em 2014, mas a quebra da cotação internacional do barril de crude deverá fazer descer esse peso, segundo o Governo, para 36,5% em 2015 e já obrigou à revisão do Orçamento Geral do Estado para este ano.