Angola importou 40 por cento dos combustíveis entre Janeiro e Março

Os dados constam de um relatório do Ministério dos Petróleos, sobre o sector nacional do petróleo e gás, apontando que durante o primeiro trimestre de 2015 foram vendidas em Angola 2.893,25 mil toneladas de produtos refinados de petróleo.
Ampe Rogério: bombas gasolina
bombas gasolina   Ampe Rogério

Em contraponto, no mesmo período, e "de modo a suportar a procura de refinados de petróleo no país", Angola importou 1.175,3 mil toneladas destes combustíveis. Desta quantidade, cerca de 72 por cento foi referente a gasóleo, para comercialização interna.

Entre Janeiro e Março, a refinaria de Luanda processou 574,4 mil toneladas de petróleo bruto, cerca de um quinto das necessidades do país. Contudo, as importações de combustível por Angola até aparentam estar em queda, depois de os sucessivos aumentos nos combustíveis que o Governo angolano tem vindo a provocar, ao reduzir os subsídios, tendo em conta que segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) esse peso - das importações - chegou aos 82 por cento em 2013.

A actual refinaria nacional, nos arredores de Luanda, foi construída em 1955 e opera a cerca de 70 por cento da sua capacidade, sendo, segundo o mesmo relatório do FMI, que analisou o sector dos combustíveis em Angola, "bastante ineficiente" e com custos de produção que "superam, em geral, os dos combustíveis importados".

Angola, que produz perto de 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, iniciou em Dezembro de 2012 a construção de uma nova refinaria, no Lobito, com o dobro da capacidade da refinaria actual, estando previsto para 2017 o início das operações. O consumo de derivados do petróleo quadruplicou em Angola desde 2005, para 119 mil barris por dia em 2013. O gasóleo responde pelo grosso do consumo (63 por cento), utilizado também para a produção de electricidade, segue-se a gasolina (15 por cento) e o GPL (11 por cento), segundo o FMI. Contudo, nos últimos sete meses, o preço do litro de gasolina em Angola subiu 91 por cento, enquanto o do gasóleo aumentou 125 por cento.

Os preços dos combustíveis - tabelados pelo Governo - estavam inalterados desde 2010, quando, em Setembro último, se deu o primeiro aumento, com o Estado a começar a reduzir os subsídios, que permitiam manter os preços artificialmente baixos, com um custo anual superior a 3,9 mil milhões de dólares.

 

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