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Ambiente

Investigador de universidade portuguesa recebe bolsa da National Geographic para explorar serra em Angola

Um investigador da Universidade do Porto, em Portugal, vai receber a Bolsa da National Geopraphic Society para explorar a Serra da Neve, em Angola.

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"Luís Ceríaco, biólogo e curador do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), irá receber uma Bolsa da National Geographic Society para explorar, em Angola, uma das zonas mais misteriosas e fascinantes do continente africano", revela a universidade numa nota publicada no seu site.

Segundo comunicado, o biólogo vai explorar a Serra da Neve, uma cadeia montanhosa situada na província do Namibe que está "coberta pela vegetação da floresta de Miombo, que emerge em contraste com a aridez das savanas circundantes de Mopane. Uma espécie de oásis de vegetação a boiar no deserto. As suas características únicas são o íman que atrai os investigadores", indica a nota

"De repente, no meio de uma área semidesértica e plana, temos uma autêntica ilha de rocha que se eleva mais 1900 metros relativamente a tudo a que a rodeia", explicou Luís Ceríaco, citado na nota da universidade.

O biólogo já fez duas expedições a esta serra tendo descoberto novas espécies, entre as quais um sapo sem ouvidos, um lagarto espinhoso e uma osga-anã.

Agora, parte uma terceira vez para o território angolano em busca de encontrar novas espécies: Luís Ceríaco pretende fazer o levantamento "mais exaustivo possível, de vários taxonómicos – de plantas a insectos, mamíferos, aves, e claro, anfíbios e répteis".

O objectivo da expedição é "documentar toda esta biodiversidade desconhecida, entender as relações entre as espécies e o meio ambiente e, claro, potencialmente, descobrir novas espécies".

O biólogo considera que este levantamento, transformado num "inventário geral da biodiversidade da Serra", pode vir a suportar "a criação, por parte das autoridades angolanas, de uma área de conservação da Serra da Neve".

Para já ainda não há data para o arranque da expedição, por causa dos condicionamentos impostos pela pandemia, mas sabe-se que a sua equipa, composta por dez investigadores, "deverá partir para o terreno na segunda metade do corrente ano".

Luís Ceríaco "faz investigação em história da ciência, museologia e biodiversidade, trabalhando em estreita colaboração com colegas e museus dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)".