João Lourenço destaca interesse russo na produção de fertilizantes, tratores e alfaias

O Presidente realçou, em Moscovo, as iniciativas de empresários russos que decidiram investir na produção de fertilizantes, tratores e alfaias agrícolas em Angola, indica um comunicado da assessoria de imprensa de João Lourenço.
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Segundo o documento, durante as conversações no Kremlin, no âmbito da visita oficial de três dias à Rússia, João Lourenço manifestou ao seu homólogo, Vladimir Putin, que a actual prioridade do executivo é o investimento privado na economia do país, sobretudo no sector agrícola.

No diálogo, com foco na cooperação económica, João Lourenço sublinhou que o excelente nível de relações políticas entre os dois países "não corresponde", ao volume de negócios "que se entenderia como proporcional".

Nesse sentido, apelou ao seu homólogo para ajudar junto das instituições russas "no sentido de encorajar as empresas russas a explorarem as múltiplas oportunidades de negócios que o mercado oferece", lê-se na nota.

O chefe de Estado destacou nas conversações o desempenho da companhia diamantífera russa Alrosa e, no domínio do petróleo e gás, lembrou que no quadro da 5.ª sessão da Comissão Intergovernamental Angola-Rússia foi estabelecido "um conjunto de ideias", em cujo contexto se perspetiva a concretização de projetos conjuntos ao nível da cooperação institucional como empresarial.

"A respeito da cooperação nos setores a que nos temos vindo a referir, há perspetivas bastante interessantes que já foram abordadas entre as partes e que, se for necessário, podem ser revistas em detalhe pelos respetivos setores ministeriais", disse João Lourenço.

No que se refere à formação, o Presidente destacou o papel relevante da Rússia na formação de quadros angolanos, herdado da sua antecessora, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), recordando a sua própria condição de antigo estudante no país.

"Não posso deixar de referir, neste encontro, o importante papel que a Federação da Rússia, ainda desde os tempos das ex-União Soviética, desempenhou no apoio a Angola na formação de quadros, alguns dos quais concluíram os seus estudos no vosso país no tempo da luta de libertação nacional", observou.

Recordou que mais tarde, após a independência nacional, "milhares de jovens angolanos adquiriram também capacidades no domínio técnico, científico e tecnológico, quer na vertente civil como militar".

João Lourenço realçou que alguns desses quadros assumem hoje altas funções de liderança na vida política, militar, económica e social de Angola - no Governo, no parlamento, nas Forças Armadas, nas empresas e em outros setores da vida nacional, começando por si, "antigo estudante da Academia Político-Militar Lenine".

Segundo João Lourenço, o Governo angolano quer continuar a contar, "tal como tem sido até aqui", com a colaboração, abertura e disponibilidade da Rússia, "para que permita o acesso de jovens angolanos às melhores universidades, institutos e escolas técnicas e outras instituições do ensino médio e superior, civis e militares", nas quais espera que adquiram "uma formação sólida e útil ao desenvolvimento de Angola".

"Para este efeito, senhor Presidente, gostaríamos que a Federação da Rússia, concedesse bolsas de estudo destinadas a beneficiar jovens que se formam destacando pela sua dedicação e inteligência nas escolas de formação inicial", referiu João Lourenço, que condecorou Putin com a mais alta distinção de Angola, a Medalha Agostinho Neto.

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