Instituto de Medicina Tropical português aposta na telemedicina em Angola

O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) português está a apostar na criação de uma rede de telemedicina em Angola, abrangendo, para já sete hospitais, cinco deles provinciais, disse à agência Lusa o coordenador do projecto.
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Luís Velez Lapão, doutorado em Engenharia dos Sistemas de Saúde e especializado em Saúde Pública Internacional pela Universidade Nova de Lisboa, indicou que o “projecto-piloto” integra, para já, hospitais em Luanda (Américo Boavida e Pediátrico David Bernardino), e em Cabinda, Bengo, Malanje, Lunda-Sul e Bié.

Segundo Luís Lapão, há a intenção de se estender progressivamente o projecto a todo o país, estando actualmente a aguardar pela análise do Ministério da Saúde, face às alterações e mudanças políticas em Angola, de modo a participar na municipalização do sector.

No entanto, o projecto, uma colaboração do IHMT com a Universidade de Medicina de Genebra, já avançou e permitiu formar 107 médicos angolanos daqueles sete hospitais, através de mais de 70 cursos de capacitação, disponibilizados numa plataforma na internet, acessível a todos os profissionais de saúde.

“A ideia é apoiar a estratégia de Angola de municipalizar a Saúde, dar maior capacidade aos hospitais municipais e provinciais, para que tenham mais informação sobre saúde e possam colaborar com médicos dos hospitais centrais. E isso está já numa plataforma tecnológica”, frisou o coordenador do projecto, 49 anos e natural de Lisboa.

“Vamos suportar esta rede, tecnologicamente, com um portal que permite a comunicação vídeo entre hospitais em duas áreas fundamentais, como a da formação e o serviço de segunda opinião, que passa por permitir aos médicos que estão nas zonas mais rurais colocar questões”, acrescentou.

Luís Lapão referiu, por outro lado, que está em estudo também adicionar novos serviços, como o relacionado com a área dos exames médicos e de diagnóstico, salientando que, financeiramente, utilizará tecnologias low cost.

Segundo o coordenador do projecto, a medicina interna e a pediatria foram “as mais trabalhadas e são o grande foco”, mas o projecto também se alarga a todas as restantes especialidades, tendo também em conta a medicina tropical.

“A telemedicina é um novo canal de acesso, permite que as pessoas possam aceder à saúde à distância. Num país vasto, como Angola, melhor ainda. E, se bem organizada, pode reduzir custos”, disse, exemplificando as poupanças com o facto de, em muitas zonas rurais, se conseguir evitar deslocações de doentes e acompanhantes.

Questionado sobre se há interesse em estender o projecto a outros países de expressão lusófona, Luís Lapão lembrou que o IHMT já está também em Cabo Verde e que Moçambique deverá ser o país seguinte.

Para tal, foi criado um grupo técnico coordenador da telemedicina na CPLP, de que o IHMT é assessor científico, aprovado, depois, em Outubro do mesmo ano, na conferência de chefes de Estado e de Governo, em Brasília.

“A ideia é começar a criar um movimento para que este tipo de acesso à tecnologia possa chegar a mais população [Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste]”, acrescentou, salientando a importância dos telemóveis e dos smartphones no mundo.

“A evolução tecnológica e a telemedicina está a ser cada vez mais potenciada por telemóveis ou smartphones. A rede em África é muito significativa e há aqui uma oportunidade que pode ser aproveitada. Só que têm de haver esforços conjuntos relevantes dos ministérios da Saúde, dos hospitais, médicos, profissionais de saúde, mas também das universidades. Estamos a falar de inovação, de reorganização dos serviços para conseguirem integrar todos os serviços”, concluiu.

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