O que Angola me faz crescer profissionalmente

Nascer do sol


Nascer do sol

José de Noronha Brandão

Director de Relações Públicas da agência ZWELA.

“Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos. certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento. não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas. era de difícil manejo – mas funcionava" - Ondjaki.
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Ponham esta música e boa leitura!

As filas de trânsito, a internet que falha quando mais precisamos dela, o estar no “aguardo”, o “descair” a qualquer momento que fora e longe da hora combinada e um calor que nos rodeia, com a humidade certa e uma quizomba sintonizada no carro, numa esplanada, num rádio que teima em dar música na rua, nos passeios, no ar. Luanda é assim um misto de híper-civilização e um travão que nos obriga a definir prioridades e urgências. Ser importante e conseguirmos estar presentes é um limbo filosófico que rapidamente aprendemos a dominar. É assim. É assim porque não pode ser de outra forma, porque somos tao humanos e de forma tão básica que um gesto mágico se torna num sorriso a um estranho, um olhar que nos acolhe, uma fila de trânsito interminável mas que acaba. Um correr contra o tempo em que o tempo sempre nos vence e que a noite nos recompensa, numa conversa que começa lamento para se tornar humana, desempoeirada e sobretudo de convívio.

Angola é uma terra imensa de emoções, fortes que nos enfraquecem para logo nos deixar invencíveis e por todos, pelas pessoas, pelo progresso, pela mudança, pela inconstância que se quer modernidade. Fazer acontecer, sem ar de milagre, apenas fazer acontecer.

Explicar isto é pintar um céu azul e explicar o azul, porque o céu não tem explicação. Angola cresce. 40 anos. Os novos 30, ou 20 quem sabe, na idade das civilizações. E Angola cresce pelo mais importante: a comunicar. As palavras fazem-se música do progresso, esquecem-se tempos recentes e olha-se o horizonte já ali ao lado, só mais uns quilómetros, muita gente e esperança. O espanador de tristezas ajuda este país a sacudir o pó e a descobrir que debaixo de um manto de silêncio há batuques a vibrar para um presente glorioso.

Cada dia nesta terra é um arco-íris de vivências que nos ensina o mais importante: que um país depende das suas gentes e de todas as gentes que por bem venham. 40 anos com um sabor diferente, o da maturidade. Ler, escrever, versejar, cantar, dançar, criar cultura, um povo, uma nação. Angola é a história ao vivo e bem-aventurados os que, doutros continentes, fazem parte desta história, destes 40 anos.

O espanador de tristezas está dentro de todos nós. Usemo-lo para mostrarmos uma nova terra!

 

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