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Economia

Turismo e retoma da produção de algodão devem ser prioridade para Angola

O desenvolvimento de infra-estruturas de apoio na área das quedas de Calandula e o reinício da histórica produção de algodão na Baixa de Cassange são recomendações do parlamento angolano ao Governo, para o exercício de 2015.

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A informação consta de um documento da Assembleia Nacional com as recomendações que resultam da apreciação da revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015, devido à forte quebra da cotação internacional do barril de petróleo, que entrou em vigor após aprovação no parlamento.

De acordo com o mesmo documento com as recomendações ao Presidente angolano, os deputados colocam, entre vários aspectos, a ênfase no desenvolvimento turístico. "Que sejam desenvolvidas acções no âmbito do desenvolvimento do polo turístico de Calandula, que permitam a electrificação daquela localidade a partir da barragem de Capanda", lê-se na proposta. É nesta área que se situam as conhecidas quedas de Calandula, as segundas maiores de África e eleitas uma das sete maravilhas de Angola, com uma altura de 100 metros, numa extensão de mais de 400 metros do rio Lucala.

Na mesma lista de recomendações do parlamento entram medidas do sector agrícola, como a prioridade ao início da cultura de algodão na Baixa de Cassange, igualmente na província de Malange. Durante o período colonial português, esta foi uma das importantes áreas de produção de algodão em Angola, mas também um dos pontos de partida para a luta pela independência, com a revolta dos produtores de algodão, em 1961, contra o regime. Esta sublevação, contra as condições de trabalho, terminou com a intervenção do Exército português e a morte de milhares de camponeses.

Uma "maior atenção" à produção de sementes no país ou uma aposta na criação de uma indústria militar nacional, "reduzindo, deste modo, a excessiva dependência do mercado externo", são outras recomendações. "Que sejam observados os prazos de execução do projecto da central de ciclo combinado do Soyo e sistema de transporte associado, que prevê uma potência máxima de 1.200 MW [MegaWatts] aproveitando o gás do projecto Angola LNG, para abastecimento [eléctrico] das províncias do Zaire, Uíge, Bengo Luanda e outras do centro do país", lê-se ainda no documento, referindo-se a uma obra em curso, a cargo de um consórcio chinês.

Devido à forte quebra das receitas petrolíferas estimadas para 2015 - para cerca de metade face ao ano anterior - o Governo angolano avançou em Março para a revisão do OGE, implementando, nomeadamente, um corte de um terço nas despesas públicas.