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Economia

Angola quer maior participação dos países do Sul no Banco Mundial, FMI e ONU

O vice-presidente angolano, Manuel Domingos Vicente, defendeu hoje, dia 22, em Jacarta, uma maior participação dos países do Sul no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional e nas Nações Unidas, em prol da paz e da prosperidade mundial.

El Diario:

"O facto de os países não-alinhados representarem dois terços dos integrantes da Organização das Nações Unidas (...) obriga-nos a pronunciarmo-nos sobre os temas mais pendentes da política internacional", defendeu o governante angolano, num discurso proferido na Conferência Ásia-África que decorre na capital indonésia.

Essa participação, continuou, é ainda mais importante "no que toca à reforma das organizações internacionais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Conselho de Segurança das Nações Unidas, de forma a assegurar o fortalecimento da cooperação Sul-Sul, para promover a paz e a prosperidade mundial".

Perante representantes de 105 países asiáticos e africanos, 15 países observadores e 17 organizações internacionais, o vice-presidente angolano afirmou que o 60.º aniversário da reunião de Bandung "realiza-se num contexto internacional particular com a emergência de vários conflitos".

Actualmente, continuou, "a garantia da paz e da segurança internacional, a promoção e garantia dos direitos humanos e a erradicação da pobreza continuam a ser os desafios dos países em vias de desenvolvimento". Neste contexto, Manuel Domingos Vicente advogou que o bloco deve "manter-se como uma força motora do processamento das mudanças profundas que se verificam hoje a nível mundial".

No seu discurso, o governante manifestou o apoio do país à proposta indonésia de criação de um Centro Ásia-África, para "promover o investimento nos dois continentes". Manuel Domingos Vidente aproveitou ainda para manifestar o apoio angolano ao "direito alienável do povo palestiniano à autodeterminação" - um dos assuntos em cima da mesa - e saudou o retomar das negociações entre Cuba e os Estados Unidos.

Angola, pela voz do seu vice-presidente, mostrou-se ainda "preocupada com os acontecimentos recentes que perpetuam a estabilidade política" no mundo e condenou, "com veemência, todas as tentativas de interferência nos assuntos internos dos Estados".

"A situação politica e socioeconómica do nosso país pode ser considerada como estável e isso tem permitido criar um ambiente propício ao investimento e ao surgimento de um tecido empresarial forte e competitivo", aproveitou para salientar.

O vice-presidente angolano manifestou também a "dedicação" de Luanda em continuar a trabalhar para o "progresso da igualdade e da justiça no mundo".

Os líderes dos países africanos e asiáticos procuram nesta cimeira, que termina sexta-feira em Bandung, revitalizar os princípios defendidos em 1955, quando lutavam contra a opressão colonial e o domínio das potências mundiais e defendiam a independência, a paz e a prosperidade económica dos dois continentes.

Manuel Domingos Vicente deslocou-se à Indonésia acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, e do ministro da Economia, Abrahão Gourgel. Durante o dia, o vice-presidente teve reuniões bilaterais com delegações do Vietname e de Singapura, mas não falou com a imprensa lusófona presente no local.

Entretanto, o ministro da Economia esteve reunido durante a tarde com empresários indonésios.