FMI: Angola foi o país mais conservador na nova previsão do preço do petróleo

O Governo de Angola é o mais conservador no que diz respeito ao novo preço de referência do petróleo para efeitos de cálculo do Orçamento do Estado, sublinhou hoje o Fundo Monetário Internacional num relatório sobre a região.
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De acordo com o Regional Economic Outlook referente à África subsaariana, divulgado em Washington pelo FMI, a previsão de 41 dólares para o preço do barril de petróleo de referência durante este ano é a mais baixa entre todos os produtores africanos, nomeadamente a Nigéria, o maior produtor da região. O documento afirma que o preço de referência estimado pelos analistas do FMI é 58 dólares, bem acima dos 41 dólares que o Governo angolano estima ser o valor médio para o barril de petróleo durante este ano, e ainda abaixo dos 51 dólares que a Nigéria inscreveu no seu Orçamento rectificativo.

O impacto da descida do preço do petróleo é, aliás, um dos pontos que atravessa todas as 123 páginas do relatório que a instituição liderada por Christine Lagarde divulgou hoje em Washington, e no qual se prevê que a África subsaariana cresça 4,5 por cento, desacelerando face aos 5 por cento do ano passado e que Angola cresça 4,5 por cento este ano e 3,9 por cento em 2016.

O crescimento das economias da África subsaariana vai estar no nível mais baixo registado nos últimos anos, reflectindo principalmente o forte declínio dos preços do petróleo e de outras matérias-primas", lê-se logo no início do relatório, que tem o subtítulo 'Navegando contra o vento', e no qual se oferece uma panorâmica de como os países africanos, nomeadamente os oito maiores produtores de petróleo, estão a adoptar as suas políticas económicas à quebra da receita fiscal. "Juntamente com preços do petróleo mais baixos no Orçamento, os países introduziram planos para reduzir a despesa, principalmente no investimento público, e aumentar a receita não petrolífera", explica o relatório.

O documento, aliás, nota que "Angola está a prever um aumento de 9,5 pontos percentuais do PIB na balança primária não petrolífera, principalmente através de cortes na despesa em bens e serviços, nos subsídios aos combustíveis, e no investimento público, que representa uma parte significativa do ajustamento orçamental".

Outra das ideias que atravessa todo o relatório passa pela excessiva dependência destes países relativamente a uma só matéria-prima, o que influencia determinante todo o panorama económica, ainda para mais quando, diz o FMI, a maioria dos países dependentes do petróleo não diversificou a economia nos últimos anos. "Os países exportadores de petróleo são os menos integrados nas cadeias globais de valor em termos de valor acrescentado às suas exportações", lê-se no documento, que pormenoriza, sem dar valores, que "com excepção dos Camarões e do Congo, esta percentagem tem até diminuído, incluindo nos casos de Angola e Nigéria, sugerindo que a diversificação do comércio para além dos recursos naturais tem estagnado, ou até mesmo andado para trás, nos últimos 20 anos nestes países".

Para sublinhar o argumento, o FMI aponta que "no resto da região, uma maioria de países conseguiu fazer progressos", principalmente entre os exportadores de matérias-primas não petrolíferas, o que mostra que "a integração nas cadeias de valor pode acontecer mesmo em países onde as matérias-primas desempenham um papel importante".

O relatório do FMI apresenta um conjunto de indicadores e previsões sobre Angola, não detalhando as razões que sustentam as previsões, mas ainda assim fica claro que a inflação deverá aumentar neste e no próximo ano, passando de 7,3 por cento em 2014 para 8,4 por cento este ano e 8,5 por cento no ano seguinte.

A queda do preço do petróleo desde o Verão passado tem tornado evidente a excessiva dependência da economia angolana do 'ouro negro', responsável por mais de 95 por cento das exportações do país e por 70 por cento da receita fiscal no ano passado, uma alínea que este ano vai reduzir-se para 36,5 por cento.

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