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Isabel dos Santos diz-se na posse de gravações que revelam conspiração do Governo contra si

Isabel dos Santos diz ter na sua posse gravações que revelam uma “conspiração de grande alcance engendrada pelo Governo do Presidente angolano João Lourenço, para usurpar ilegalmente” os seus bens. De acordo com a empresária, as provas contra Angola já foram apresentadas no Tribunal Superior de Londres, no âmbito de um processo em curso contra a Unitel International Holdings (UIH), detida por Isabel dos Santos, apresentado pela Unitel, para pedir o reembolso dos empréstimos que fez à UIH em 2012 e 2013 .

: Nuno Coimbra
Nuno Coimbra  

"As provas foram recolhidas e fornecidas ao Supremo Tribunal de Londres, pela firma de inteligência Black Cube", pode ler-se num comunicado remetido ao VerAngola.

A investigação reuniu dezenas de "horas de gravações áudio e vídeo em que antigos altos funcionários e conselheiros do Governo angolano fazem revelações condenáveis em torno de como o Governo angolano conspirou para lançar uma série de ataques coordenados a Isabel dos Santos, com vista a apreender os seus bens".

Segundo o comunicado, as novas provas revelam que "a Administração Lourenço criou uma "task force", com o objectivo explícito de conceber e coordenar uma estratégia e campanha para sustentar a apreensão ilegítima de bens de Isabel dos Santos", que o Governo "instruiu o sistema judicial (incluindo o Supremo Tribunal e a Procuradora-Geral da República) para que fosse instaurado um processo judicial pré-determinado contra Isabel dos Santos, o que permitiu a aplicação de uma ordem de congelamento dos seus bens pelo Estado angolano" e também "ordenou à Mercury (através da sua empresa-mãe, a petrolífera estatal Sonangol) que agisse em conluio com a PT Ventures (através da sua empresa-mãe, a brasileira Oi, a parte oposta), no processo de arbitragem da ICC Unitel, com o objectivo de garantir um resultado favorável à PT Ventures".

Michelle Duncan, assessora jurídica de Isabel dos Santos, citada no comunicado, avança que as novas provas - apresentadas no âmbito de um processo em curso contra a Unitel International Holdings (UIH), detida por Isabel dos Santos, apresentado pela Unitel, para pedir o reembolso dos empréstimos que fez à UIH em 2012 e 2013 - "são tão condenáveis quanto perturbadoras" e que deixam claro que "o processo movido contra a UIH,pela Unitel no Supremo Tribunal de Londres é apenas um elemento de uma campanha maliciosa e de longo alcance do Governo angolano para apreender ilegalmente os bens de Isabel dos Santos".

A assessora jurídica avança ainda que as provas demonstram que existe uma conspiração "concebida e sustentada sob a direcção expressa da liderança angolana. As muitas horas de gravações áudio e vídeo fornecem um relato claro das inúmeras técnicas criminosas utilizadas ao longo de vários anos para enquadrar, difamar e isolar ilicitamente Isabel dos Santos, permitindo ao Estado angolano confiscar ilegitimamente os seus bens".

A assessora termina afirmando que estas novas provas serão analisadas por um juiz "no devido tempo".

A nota reforça que os materiais publicados durante o Luanda Leaks "foram obtidos ilegalmente, manipulados e utilizados como elemento central de uma ampla 'estratégia de apropriação de activos' concebida pela administração de João Lourenço para 'acusar, difamar e isolar ilegalmente Isabel dos Santos, permitindo assim ao Estado angolano confiscar ilegitimamente os seus bens'".

Indica ainda que documentos apresentados anteriormente no Tribunal de Angola já tinham revelado a existência de provas "forjadas e falsificadas" que foram "usadas pelo Estado angolano no processo de arresto dos bens de Isabel dos Santos". Entre esses documentos constava "uma falsificação de passaporte, conjunto de emails fraudulento, um memorando dos serviços secretos angolanos descrevendo uma transação falsa da Unitel, um contrato de empréstimo falsificado da Sonangol e um relatório forjado da Polícia Judiciária portuguesa".

"As provas demonstram como os ataques do Estado angolano a Isabel dos Santos foram impulsionados não só por motivos políticos e financeiros, mas também como forma de distrair a opinião pública da corrupção e do suborno que assola o governo de João Lourenço, incluindo altos funcionários e a petrolífera estatal Sonangol", indica a nota.

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