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“Ki Mona Mesu”: a dureza das minas vista por uma lente fotográfica

Pintura, instalação e fotografia reúnem-se no Centro Cultural Português em Luanda a partir do próximo dia 26 de Março. A exposição “Ki Mona Mesu”, da autoria de Mário Rendinha e José Silva Pinto será inaugurada na próxima quinta-feira, pelas 18h30, e ficará patente ao público até 10 de Abril.

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Em comunicado remetido ao VerAngola, o CCP explica que “Ki Mona Mesu” é uma exposição que reúne 20 obras de Mário Tendinha - pintura e instalação - e de José Silva Pinto – fotografia – e que aborda o tema violento e dramático das minas que vitimaram milhares de mulheres, homens e crianças, em resultado da guerra que assolou Angola durante décadas, deixando um rasto de destruição e sofrimento, de que são testemunhas os mutilados de guerra.

Mário Tendinha, partindo de cada uma das fotografias, faz obras de pinturas através das quais tenta desconstruir a dureza da fotografia, num diálogo directo e provocatório, procurando dar uma sinal de esperança. José da Silva Pinto visitou um projecto, que tinha sido apoiado pela Princesa Diana, de fabrico de próteses em Bomba Alta no Huambo e fotografou algumas próteses que ali encontrou degradadas e abandonadas. Alguns desses trabalhos fotográficos integram esta exposição. Para além da fotografia e pintura, a exposição apresentará uma instalação que fará a ligação do público com a realidade figurativa da exposição.

Mário Tendinha nasceu na cidade do Namibe e começou a desenhar com 18 anos de idade, influenciado pelas correntes modernas da época e movimentos sociais. A banda desenhada, uma das suas paixões desde infância, deixou marcas no seu trabalho inicial. Em 1975 deixou de pintar e só retomou a pintura em 2003.

José da Silva Pinto nasceu no Lobito em 1959. Em 1975 foi para Zurique onde estudou Biotecnologia. Em 1980 iniciou-se na fotografia, influenciado por Eduardo Gageiro. Viveu no Cambodja, no Vietname, e em Espanha. Desde 2000 que reside em Angola.