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Artista Rita GT estreia 'vídeo-performance' “Unearthing” dedicada a mulheres migrantes

A artista Rita GT vai apresentar, a 8 de Março, 'online', a vídeo-performance inédita "Unearthing", dedicada às histórias de mulheres que tiveram de emigrar durante o período colonial, no âmbito de um programa do Yorkshire Sculpture Park.

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A nova obra foi comissionada pelo museu britânico Yorkshire Sculpture Park (YSP, Parque de Esculturas de Yorkshire), e será apresentada às 18h00, no Dia Internacional da Mulher, na plataforma Youtube, no quadro de um programa de escultura ao ar livre dedicado a mulheres artistas, segundo a organização.

"Unearthing" surgiu a partir de uma residência artística que Rita GT realizou no YSP, em 2018, e concretizou-se numa 'performance' vocal e de movimento, que conta com a participação de intérpretes do grupo tradicional Cantadeiras do Vale do Neiva e das bailarinas Piny e Isa Santos, tendo como cenário o espaço da antiga Fábrica de Louça de Viana do Castelo, cidade onde a artista vive e trabalha actualmente.

Nesta nova obra, Rita GT prossegue a sua investigação sobre as histórias pós-coloniais, o lugar das mulheres nas sociedades e a sua ligação à terra, particularmente através da argila e da cerâmica.

O elemento coral da 'performance' "evoca canções e cantos tradicionais que viajaram nas vozes das mulheres, e será cantado em português, sem legendagem, preservando a diversidade linguística e os provincianismos presentes nas letras e na interpretação", indica um texto sobre a 'performance'.

O projecto "Unearthing" é apoiado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo e pela Fundação Calouste Gulbenkian e comissionado pelo YSP no âmbito do programa de 2021 dedicado a mulheres artistas, que envolve a participação de Joana Vasconcelos, Rachel Kneebone, Annie Morris e a apresentação da exposição colectiva "Breaking the Mold: Sculpture by Women since 1945", com curadoria da Arts Council Collection.

Nascida no Porto, em 1980, Rita GT é licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes daquela cidade, e vive e trabalha actualmente entre Portugal e Angola.

Co-fundadora do colectivo e.studio, em Luanda, Rita GT tem vindo a refletir sobre os temas de identidade e memória colonial, com foco em questões de género e direitos humanos, e, nas suas obras, trabalha principalmente com cerâmica, instalação, 'performance', vídeo e fotografia, cruzando múltiplos meios e suportes.

Foi comissária do Pavilhão de Angola na Bienal de Veneza, em 2015, e, em 2017, fez parte da exposição anual da Royal Academy de Londres.

Foi igualmente uma das artistas não africanas convidadas a participar na primeira Bienal de Lagos, na Nigéria.

Em 2015, apresentou a 'performance' intitulada "We Shall Overcome!", que aborda as injustiças sociais, económicas e políticas, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC), em Lisboa.

O YSP situa-se numa propriedade com jardins do século XVIII e é um dos maiores espaços europeus de exposição de escultura moderna e contemporânea ao ar livre, tendo mostrado trabalhos de artistas como Henry Moore, Barbara Hepworth, Damien Hirst, Phyllida Barlow, Huma Bhabha, Gavin Turk e Ai Weiwei. Normalmente, recebe cerca de 500 mil visitantes por ano.

Desde Março de 2020, o parque está a apresentar uma exposição retrospectiva da obra da artista Joana Vasconcelos, incluindo "Pop Galo" (2016), um gigantesco Galo de Barcelos em azulejo e luzes LED, e "Solitário" (2017), produzido para uma exposição no Museu Guggenheim de Bilbao, e que consiste numa escultura em forma de anel, feita com jantes de automóvel e copos de uísque, numa alusão aos símbolos estereotipados de desejo feminino e masculino, diamantes e automóveis de luxo.

Devido ao encerramento ao público pelo confinamento em vigor em Inglaterra, a exposição intitulada "Beyond" - a maior exposição de Vasconcelos no Reino Unido até à data, reunindo cerca de 30 obras dos últimos 20 anos - foi prolongada por um ano, até 9 de Janeiro de 2022.