Presidente da RDCongo assume reconciliação como prioridade nacional

O novo Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) afirmou Terça-feira, em Luanda, que não tolerará mais conflitos étnicos nem discriminação tribal, assumindo que a reconciliação nacional é uma prioridade.
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Félix Tshisekedi, que esteve Terça-feira cerca de quatro horas em Luanda para um encontro com o homólogo João Lourenço, naquela que foi a sua primeira visita ao estrangeiro, disse ter já pedido ao seu antecessor, Joseph Kabila, para o “ajudar” e “aconselhar” na pacificação e estabilização do país.

“O meu governo não tolerará conflitos étnicos. Quero uma RDCongo unida. São todos congoleses. Não quero discriminação tribal”, disse o chefe de Estado congolês, empossado a 24 de Janeiro passado, depois de vencer as eleições presidenciais de 30 de Dezembro.

Sobre a violência que continuam a registar-se no leste do país, Tshisekedi disse estar a acompanhar de perto a situação e garantiu que irá falar com os Presidentes dos países vizinhos – sobretudo os do Uganda, Ruanda, Burundi e Tanzânia - para que se encontre uma solução para os sucessivos conflitos étnicos, religiosos e tribais.

Sobre as relações com Angola, Tshisekedi disse “compreender” a “Operação Transparência”, iniciada pelas autoridades em Setembro de 2018 e que já levou à expulsão de mais de 400 mil congoleses em situação ilegal.

No entanto, defendeu que a presença de numerosos congoleses ilegais em Angola tem de ser vista como uma “luta pela sobrevivência”, faces aos sucessivos conflitos que existem no sul e leste da RDCongo.

O Presidente congolês salientou que Angola, como país independente, “tem todo o direito” de tomar as medidas para manter a segurança e a qualidade de vida das populações, sobretudo em zonas onde os recursos naturais são abundantes, como nas Lundas Norte e Sul.

“Houve uma exploração [dos recursos naturais] anárquica e descontrolada. Mas temos de compreender que há situações difíceis na vida. Eles [congoleses] estavam lá para sobreviver. É um reflexo na luta pela sobrevivência e nada para pôr em causa a segurança de Angola”, observou.

Nesse sentido, manifestou total disponibilidade da RDCongo para colaborar com o Serviço de Migrações e Estrangeiros (SME) angolano, garantindo o regresso de congoleses ilegais “de forma digna” e em “condições aceitáveis”.

“Vamos trabalhar em conjunto para apoiar este processo. Desta forma, poderemos pacificar a região e gerar emprego, pois poder-se-á desenvolver o comércio transfronteiriço com ganhos para os dois países. Mas vamos combater esta vaga de imigração”, garantiu.

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