Telma Gomes e Marinela Mendes: “Com a roupa definimos aquilo que somos, ainda que sem querer”

Duas mulheres que vêem a moda como forma de expressão, inspiradas na mulher africana, criaram a Oluchi, uma marca que mistura a cultura dos povos africanos e reflecte a identidade das próprias criadoras, com um toque de modernidade. Para já, as colecções são destinadas a mulheres, mas já há planos para integrar homens e crianças no público-alvo da marca, até porque a adesão ao projecto tem sido a experiência mais marcante que relatam. Para o futuro querem “abraçar o mundo”, pendente para já devido à crise, mas com criatividade vão crescendo, até porque para ambas “a moda tem o poder que tem a Arte”.
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Telma e Marinela como é que surgiu o vosso gosto pela moda? É uma paixão?

Telma: Surgiu de forma casual com vontade de vestir o pano africano dentro da moda mais actual. Para mim moda é uma forma de nos expressarmos, importante como qualquer outra forma de expressão. Não me considero escrava de tendências, ando um bocado ao sabor dos meus próprios momentos e evoluções.

Marinela: Não me apercebi de ter gosto pela moda mas sim nasceu uma vontade enorme de poder oferecer ao mercado roupas confeccionadas nas nossas estampas, sem o drama ou necessidade de controlar um costureiro. Achamos que a simplicidade do pronto a vestir e a selecção de modelos, que funcionassem no dia-a-dia das mulheres, confortável e prático, satisfaria um público alvo, como nós próprias.

No momento de criar quem ou o que é que vos inspira? Quais são as vossas referências?

Nós seguimos tendências que façam sentido no universo do pano africano e de África. Um pouco de mistura do que nos identifica como africanas e um pouco do que anda pelo mundo. As mulheres africanas inspiram-nos.

Como se definem os estilos de Telma Gomes e de Marinela Mendes?

Telma: Não sei qual e o meu estilo, não sei se tenho estilo. Acredito que vou mudando a forma de me expressar através da roupa com a forma como vou amadurecendo, tento expressar o que sou, vestir-me de forma a puder definir-me.

Marinela: Sim, concordo com a Telma. Sem dúvida o meu estilo reflecte um posicionamento político perante o mundo em que vivemos. É uma expressão de um conjunto de crenças e reflecte as nossas principais influências.

Como surgiu a vossa parceria? Falem-me um pouco da vossa marca, Oluchi.

A nossa parceria surgiu da ideia de fazermos roupa com panos africanos e de nos termos deparado com a falta de oferta de roupa contemporânea, em tecido africano. Daí tivemos a ideia de criar uma marca e ser uma opção no mercado para esse tipo de moda. Oluchi surgiu depois de uma procura num nome que pudesse expressar tudo o que nós queríamos transmitir. Oluchi quer dizer “obra de Deus”, ou melhor, “talento” e por isso achamos o nome perfeito. Queremos ser mais do que uma marca, uma forma de nos expressarmos através da roupa, queremos muito misturar a cultura dos povos africanos à realidade actual, às tendências da moda, e é por aí que temos seguido.

Nas vossas colecções, normalmente quem é o público-alvo? Mulheres, homens, crianças?

Mulheres. Mas estamos e pretendemos alargar para homens e crianças.

Quais as experiências mais marcantes, positivas e negativas, desde que ingressaram neste grande desafio que é o mundo da moda?

Positivas foi a adesão das pessoas ao projecto. É incrível perceber que tocamos as pessoas e que já temos um público Oluchi. Negativas, o momento económico actual, que nos fez rever tudo e repensar formas alternativas de dar corpo ao que queremos fazer da Oluchi.

Como vêem a moda em Angola?

Frágil ainda, mas a dar passos para se definir e posicionar.

Como tem sido a adesão às vossas criações por parte do público?

Nós não somos estilistas, nem temos essa pretensão. Somos inquietas e procuramos passar às pessoas a ideia que de que cada um de nós tem uma essência e que devemos sempre celebrar essa essência. Não é a roupa que nos define, com a roupa definimos aquilo que somos, ainda que sem querer.

Quem é que gostavam de vestir?

Gostámos de vestir as pessoas de uma forma em geral. O que nos dá mais prazer é ver como cada pessoa se identifica com uma peça Oluchi e como com ela temos um modelo com mais identidade. Cada essência transforma a peça e torna-a mais rica.

Quais os vossos projectos para o futuro? Novas criações? Novas lojas?

Planos temos muitos... Queremos abraçar o mundo, mas o contexto económico actual não nos permite. Estamos a tentar sobreviver à crise e ainda assim ver com criatividade como conseguimos ir crescendo.

Por fim, para vós qual é o poder da moda?

A moda tem o poder que tem a Arte.

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