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DP World aposta em equipa de Maputo para dar formação no porto de Luanda

A DP World, que assinou esta Segunda-feira um contrato de concessão para operar o porto de Luanda num valor superior a mil milhões de dólares, vai apostar na formação dos trabalhadores em Angola promovendo um intercâmbio com Moçambique.

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"Acreditamos na formação das equipas nacionais", afirmou o director da DP World para o Médio Oriente e África, Suhail Al Banna, à margem da assinatura do contrato de concessão do terminal multiusos do porto de Luanda, por um período de 20 anos.

Segundo o responsável da multinacional sediada no Dubai, a DP World vai enviar uma equipa de avaliação por um curto período de tempo, seis meses no máximo, para identificar as competências de cada trabalhador e desenhar um programa à medida das necessidades individuais.

"Como estamos a operar em Maputo, Moçambique, e como o português é usado em ambos os países estamos a planear enviar parte da equipa de Luanda para Maputo e poderemos trazer algum do nosso 'staff' de Moçambique para cá", indicou.

Segundo Suhail Al Banna, a empresa quer recrutar mais angolanos, além dos trabalhadores actuais do porto de Luanda, cujos postos de trabalho serão assegurados. "Em cada país, temos também um programa direccionado para recrutar jovens universitários e dar formação em ambiente de trabalho durante três anos, período após o qual poderão ingressar na empresa ou ser absorvidos por outras companhias", revelou.

Questionado sobre de a DP World tem mais investimentos previstos para a África lusófona, Suhail Al Banna disse que a empresa está sempre à procura de novas oportunidades.

"Estudamos os mercados e, com base nas oportunidades, decidimos se queremos entrar num determinado país", declarou.

O acordo de concessão foi assinado esta Segunda-feira em Luanda por Alberto António Bengue, presidente do Conselho de Administração do Porto de Luanda e Sultan Ahmed Bin Sulayem, presidente do grupo e presidente executivo da DP World.

O acordo prevê um investimento de 190 milhões de dólares ao longo do período de concessão, bem como o pagamento de valores superiores a 440 milhões de dólares em 2020.

Os pagamentos ao longo do período de concessão irão representar um valor superior a 1000 milhões de dólares, dos quais 150 milhões de dólares serão pagos na data de assinatura do contrato.

Na ocasião, o ministro dos Transportes, Ricardo Abreu, salientou que a manutenção dos postos de trabalho dos trabalhadores afectos ao terminal e a implementação de um programa de formação e capacitação dos técnicos é uma das mais-valias do acordo.

Destacou ainda que o concurso internacional decorreu de forma rigorosa e transparente, apesar de "algumas vozes que se levantaram colocando em causa a lisura do processo".

O secretário de Estado para o Sector da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Carlos Antão Borges, reforçou a ideia, realçando os procedimentos de 'due dilligence' adoptados: "Todas as empresas que foram convidadas foram alvo de uma 'due dilligence' prévia. As regras são iguais para todos, não há atalhos, não há caminhos fáceis, há transparência e há rigor, para aqueles que gostam, é porque estamos a ser profissionais, para aqueles que não gostam há de haver outras oportunidades, mas terão de fazer melhor".

"As regras estão criadas e a partir de agora é assim, é assim que defendemos os interesses dos angolanos. Somos transparentes e estamos à procura dos melhores parceiros para trabalhar em Angola", acrescentou.

A Dubai Ports World é uma multinacional de logística dos Emirados Árabes Unidos com sede no Dubai e especialista em logística de cargas, operações de terminais portuários, serviços marítimos e zonas francas.

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