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Produção de petróleo deverá cair para menos de 1 milhão de barris até 2029

A consultora Fitch Solutions alertou esta Quinta-feira que sem novos investimentos e novos projectos no sector do petróleo em Angola, a produção pode cair para menos de 1 milhão de barris diários até final da década.

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"Na ausência de novos projectos e num ambiente de investimentos de alto risco, antecipamos que a produção caia para menos de um milhão de barris por dia em 2029", escrevem os consultores numa análise ao sector petrolífero angolano.

No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, estes analistas da consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings escrevem que "para além dos cortes decretados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da descida da despesa a curto prazo, o sistema ultra proteccionista angolano vai continuar a afastar os investidores".

A Fitch Solutions reconhece, no entanto, que foram implementadas reformas para agilizar o funcionamento do sector e melhorar a atractividade da indústria, mas salienta que apesar disso "Angola continua a ser um mercado de alto risco" e nota que isso está reflectido no Índice de Risco e Recompensa, "no qual o país continua a ter um desempenho abaixo dos seus pares nas métricas de risco".

O plano de desenvolvimento do sector entre 2020 e 2025, aprovado pelo Governo no final do ano passado, é visto como positivo pelos analistas, possibilitando "uma ligeira melhoria nas previsões para a exploração e produção de petróleo e gás em Angola, mas devido aos previsíveis atrasos, quaisquer novos projectos resultantes deste aumento da exploração ficam fora das previsões a 10 anos" da Fitch Solutions.

Para este ano, a consultora antecipa que Angola, que ocupa a presidência rotativa da OPEP, "cumpra totalmente" os cortes decretados pela organização e pelos parceiros, permitindo, ainda assim, um aumento de 2 por cento na produção, para 1,32 milhões de barris diários este ano.

"Este nível marca, ainda assim, um valor melhor que os níveis de produção registados em 2020, quando a produção deverá ter caído 7,5 por cento", acrescentam.

Para o próximo ano, a previsão dos consultores é uma ligeira melhoria de 4,2 por cento na produção, para 1,38 milhões de barris diários, sendo que a partir daí o cenário da Fitch Solutions aponta para uma queda a partir desse ano.

"O ambiente de preços baixos na indústria, que começou ainda antes da queda do petróleo e da pandemia, levou as empresas a cortarem no investimento, e a Total, por exemplo, anunciou cortes de 3,3 mil milhões de dólares, enquanto a BP cortou o investimento em 25 por cento", lembram, apontando que, "como Angola é um mercado de alto risco, é improvável que estas companhias acelerem significativamente o investimento no país nos próximos anos".

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