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Economia

Angola analisa 2019 e programa 2020 para melhor previsão do crescimento

O Governo está a analisar as estatísticas de 2019 e a refinar a programação para 2020, o que permitirá uma melhor avaliação da previsão de crescimento económico de 1,8 por cento, disse na Terça-feira o ministro da Economia e Planeamento.

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Manuel Neto da Costa, que falava à imprensa à margem da cerimónia de cumprimentos de fim de ano, reagia à revisão em baixa pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) da previsão de crescimento da economia angolana para 1,2 por cento em 2020.

O ministro da Economia e Planeamento disse que a análise do FMI deverá ter sido influenciada pelo comportamento abaixo do esperado do sector petrolífero.

"Infelizmente persistem ainda alguns problemas no sector petrolífero, problemas operacionais que têm levado à queda tendencial da produção. De todo o modo, hoje há investimentos que se estão a fazer no domínio da prospecção, para que possam conhecer as reservas e aportar mais produção em substituição de campos, cujo nível de maturidade atingiu o máximo e neste momento têm uma tendência decrescente", disse o ministro.

Questionado sobre se o país mantém a sua previsão de crescimento de 1,8 por cento, Manuel Neto da Costa avançou que decorrem neste momento avaliações do que foi 2019, para refinar o exercício de programação para 2020 e permitir uma melhor avaliação.

De acordo com a análise detalhada à segunda revisão do programa de Financiamento Ampliado em curso em Angola, em 2019 a economia deverá ter uma nova recessão, de 1,1 por cento, em vez de um crescimento de 0,3 por cento anteriormente estimado, e no próximo ano deverá crescer apenas 1,2 por cento e não os 2,8 por cento previsto pelo FMI em Junho.

"A actividade económica é mais fraca que o esperado", admitem técnicos do FMI, apontando que "relativamente às projecções da primeira revisão, o crescimento será mais baixo em 2019 e 2020 devido à produção petrolífera abaixo do esperado".

No entanto, acrescentam, "a actividade económica vai recuperar gradualmente, a partir de 2020, apoiada num crescimento moderado da economia não petrolífera e pelos efeitos positivos não só da liberalização da taxa de câmbio, mas também do PIB não petrolífero".

Para o próximo ano, o Governo prevê um crescimento do PIB de 1,8 por cento, depois de uma contracção de 1,1 por cento este ano, baseando esta previsão na recuperação do sector petrolífero, que deve crescer 1,5 por cento e no não petrolífero, que deverá acelerar de 0,6 por cento este ano, para 1,9 por cento em 2020.

Manuel Neto da Costa considerou 2020 um ano "desafiante", para o Governo no sentido de fazer reverter o curso da economia, assegurar que o investimento aconteça, para a criação de empregos e geração de rendimentos para as famílias.

"Temos o papel de coordenar o PRODESI (Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações), um programa bandeira, mas há determinados pressupostos que têm que ser reunidos no sentido de assegurar que o PRODESI tenha sucesso. Falei da liberalização cambial, por exemplo, no âmbito da importação, o lobby da importação ainda é forte e tende a persistir no mero comércio, na simples importação", referiu.

A entrada em vigor da pauta aduaneira revista vem, segundo o ministro, assegurar a protecção da produção interna e desfazer a importação, medidas que vão confluir na criação de facto de uma base económica nacional além do petróleo.