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Defesa

Vice do BNA contraria Valter Filipe e afirma que sempre foi contra transferência dos 500 milhões

Manuel António Tiago Dias, vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), revelou esta Terça-feira em tribunal que avisou Valter Filipe, na altura governador do BNA, a não fazer negócio com a empresa Mais Financial Services por considerar que o acordo iria prejudicar o Estado.

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O vice-governador do BNA afirmou que enviou um e-mail a Valter Filipe, em Agosto de 2017, a especificar a sua posição sobre o acordo com a empresa Mais Financial Services, mas que a resposta nunca chegou. O responsável sublinhou ainda que sempre que o ex-governador do BNA falava no assunto, que deixava claro que era contra a assinatura do acordo.

Durante a sessão, Tiago Dias contou que Valter Filipe lhe pediu para fazer um estudo sobre a diversificação da economia no país. O vice do BNA pediu ajuda a técnicos especializados em economia e, depois de interpretados os resultados, pareceu-lhe mais sensato emitir um parecer: "Constatamos que a Mais Financial Services não tinha referências para realizar os trabalhos a que se propunha".

Tiago Dias revelou ainda que em Outubro de 2017 – quando já tinha sido realizada a transferências dos 500 milhões de dólares para Londres – que Valter Filipe lhe pediu novamente um estudo. O vice-governador do BNA reencaminhou novamente o parecer para o ex-governador do BNA, mas  a reacção não foi muito positiva: o antigo governador do banco referiu que não estava à espera do parecer, mas sim do estudo e aconselhou-o a pedir ajuda a António Ebo, o seu antigo assessor económico, e a António Samalia Bule, ex-director do Departamento de Gestão de Reservas do BNA.

Já Valter Filipe disse que o estudo fazia parte do primeiro contrato celebrado com a empresa Mais Financial Services e rejeitou ter recebido o e-mail de Tiago Dias: "Nunca vi este parecer e nem tive contacto com o mesmo".

O antigo governador do BNA disse ainda que o parecer terá sido enviado para o seu e-mail profissional e que como se encontrava em Londres não o viu porque não tinha acesso ao instrumentos de comunicação interna do banco.

Tiago Dias voltou a contrariar o arguido, afirmando que os membros do Conselho de Administração, mesmo quando se encontram fora do país, têm acesso aos seus e-mails profissionais.

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