Baixa inflação “surpreende” e PIB está menos recessivo

O economista Carlos Rosado de Carvalho afirmou-se "surpreendido" com a baixa taxa de inflação registada em Angola e considerou que o Produto Interno Bruto (PIB) está "menos recessivo" e "menos mau".
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Em declarações à agência Lusa, o também jornalista e diretor do semanário económico Expansão comentava os dados avançados, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a taxa de inflação e o PIB no país.

Segundo o INE, Angola fechou 2018 com uma inflação anual de 18,6 por cento, seis décimas acima da última previsão do Governo (18 por cento), números que já incorporam os dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de Dezembro, que foi de 1,41 por cento, acima dos 1,31 por cento de novembro.

Por outro lado, e sobre o PIB relativo ao terceiro trimestre de 2018, o INE avançou ter recuado, em termos homólogos, 1,6 por cento, agravando a recessão económica até Setembro.

Trata-se do terceiro trimestre consecutivo de recessão na economia angolana em 2018, depois das quebras de 4,6 por cento no primeiro trimestre e de 7,4 por cento no segundo trimestre, segundo dados anteriores do INE angolano. Com base nestes dados, cálculos da Lusa apontam para uma recessão acumulada em Angola, de Janeiro a Setembro, a rondar os 4,5 por cento do PIB.

"No terceiro trimestre o PIB baixou 1,6 por cento e é um mau resultado, o que era esperado. Mas é preciso dizer que, em comparação com o segundo trimestre de 2018, houve uma melhoria, mas essa melhoria significa apenas estar menos mau. No segundo trimestre, o PIB baixou mais de 7 por cento [7,4 por cento] e, em termos trimestrais, temos agora apenas 1,6 por cento, o que significa que é um resultado um pouco melhor e de alguma maneira em linha do que se prevê para este ano, que é uma recessão na ordem do 1 por cento, mais ou menos", sublinhou à Lusa o também professor universitário. 

Para Carlos Rosado de Carvalho, os resultados divulgados pelo INE "são maus", uma vez que significam que a economia "está a recuar". "Podemos dizer que a economia angolana está menos recessiva do que estava anteriormente e já se espera para 2019 um ligeiro crescimento, ainda fraco, sobretudo se tivemos em conta que está abaixo da população. As previsões dão menos 3 por cento e a população cresce à volta dos 3 por cento", sublinhou.

Sobre a inflação, disse estar "muito surpreendido" com as taxas baixas registadas nos últimos meses. "Normalmente, Dezembro é um mês de aumento da inflação, por causa do Natal, das festas, de uma série de coisas, e se se olhar para os números isso não está a refletir-se. Enfim, sem querer desconfiar dos números, a mim surpreende-me um pouco os números que estão a ser apresentados", afirmou.

"A justificação para isso não é boa. A economia está em recessão e, portanto, quando a economia está em recessão, há menos procura e, se há menos procura, há menos pressão sobre os preços", acrescentou.

Por outro lado, Carlos Rosado de Carvalho alertou para a necessidade de não se poder perder de vista que Angola vem de um ano de grande desvalorização da moeda (o kwanza depreciou-se 47 por cento face ao euro e 46 por cento em relação ao dólar em 2018), o que, frisou, os números da inflação o surpreendem também por isso.

"Também por isso, os números da inflação surpreendem-me, porque a inflação está a descer a uma velocidade maior do que eu pensava que pudesse ser possível. Mas, enfim, são os números do INE, que é o único organismo que calcula a inflação e temos de confiar", concluiu.

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