Desvalorização da moeda limita gastos diários dos consumidores

A depreciação do kwanza em cerca de 50 por cento face ao euro no espaço de um ano levou os angolanos a alterarem, substancialmente, os hábitos de compras, adquirindo apenas “o essencial”, mas esperam que a situação se reverta.
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A situação foi constatada Terça-feira pela Lusa, numa ronda efectuada na capital, com os cidadãos a manifestarem crença nas políticas monetárias do Governo para a inversão da actual situação, que afirmam ser preocupante, perante as necessidades diárias.

Clarice Makiesse de Almeida, professora do ensino secundário, tem um salário de 79.000 kwanzas e lamenta a “ginástica permanente” para adquirir os bens de primeira necessidade, afirmando que agora compra "apenas o necessário”.

“Tem sido assim nos últimos anos, e foi assim em 2018. Com despesas para a creche do bebé, dos meninos na escola e ainda para a comida, que também não é barata, não resta nada”, contou à Lusa a professora de 42 anos.

Para a docente, “é urgente o aumento salarial dos funcionários públicos” para “pelo menos" conseguirem ter "o básico para viver”.

”Porque com esse salário magro, vais ao mercado, um bom peixe podemos comprar a 1000 cada, enfim, e são tantos gastos que o salário nem compensa”, lamentou.

O estudante universitário Fábio Isaac conta que, com a desvalorização do kwanza, deixou de “fazer muita coisa”, referindo que, anteriormente, com 100 kwanzas comprava “um pão e um refrigerante”, estando hoje “sem muitas alternativas”.

“Com 100 kwanzas poderia comprar um pão e um refrigerante mas com a desvalorização do kwanza apenas conseguimos comprar uma garrafa de água”, lamentou.

Para o estudante de 28 anos, que espera que as políticas monetárias em curso “alterem para melhor” a vida dos angolanos, a actual depreciação da moeda torna “cada vez mais difícil a situação das famílias”.

”Visto que o mesmo kwanza não tem peso no mercado internacional, então, o custo de vida vai se tornando cada vez mais difícil para os cidadãos e realmente fica apertado para a sociedade (…) ”, afirmou.

Paulo Gaspar Jaime, efectivo de segurança privada, disse que “nunca mais" teve "um Natal condigno”, devido, sobretudo o salário que aufere, 30.000 kwanzas/mês, afirmando “lutar apenas para a sobrevivência dos filhos”.

Segundo o antigo efectivo das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FAPLA), braço armado do MPLA, o seu “salário de miséria” há muito que perdeu o valor porque a situação social continua difícil.

“Já temos a crise, o kwanza sem qualquer valor e estamos aqui só mesmo a lutar para os filhos não morrerem à fome, porque os 30.000 kwanzas às vezes também atrasam, e se esposa não vender, a situação complica ainda mais”, disse.

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