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Vera Daves diz que Sonangol vai mesmo ser privatizada mas só assim que “arrumada a casa”

Vera Daves garante que o Governo mantém o empenho na privatização - parcial - da Sonangol, a acontecer assim que “arrumada a casa” e de mais meia centena de activos em 2022. Em entrevista ao português Jornal de Negócios, a ministra das finanças fala ainda das necessidades de endividamento do país e do FMI, ao qual o Governo não considera “dizer adeus”.

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A Sonangol é um dos temas centrais da entrevista concedida por Vera Daves, que garante que o Governo continua apostado na privatização, afirmando que o ponto de partida para a descarbonização é a estabilidade macroeconómica do país e a criação de um bom ambiente de negócios.

Tendo já a confirmação do ministério dos Petróleos que a privatização da petrolífera não acontecerá em 2022, a ministra afirma que "a vontade política mantém-se", apesar de a Sonangol ser uma empresa "muito complexa". "Durante muito tempo criou várias ramificações e tentáculos, se me é permitido usar esta expressão, e agora o que está a fazer é arrumar a casa", afirmou.

Em simultâneo, existem 41 activos privatizados ou alienados, e outros em processo de cedência de gestão (como o Kero). Deste total, a responsável pela pasta das Finanças contabiliza 1,2 mil milhões de euros em receita, sendo que "cerca de metade já foi pago e a outra metade vai sendo paga em prestações".

O plano de privatizações continua, com um balanço até agora positivo, refere. A ambição também se mantém, segundo Vera Daves de Sousa, que planeia privatizar mais 40 activos até ao final do ano, casos do BCI e da ENSA, cujos processos deverão estar concluídos ainda em 2021.

Para 2022 a intenção é a de seguir o plano, com as previsões de privatização a apontarem para os 50 activos. Nomes como BAI, TV Cabo, Caixa Angola, Mota-Engil Angola ou Multitel estão em cima da mesa.

Já no que diz respeito à presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) no país, a ministra fala em "novas formas de colaboração e cooperação", apontando uma "decisão" para o final deste ano. Garante, no entanto, que "dizer adeus ao FMI não é algo que estejamos a considerar".

Também como já tinha sido anunciado, Vera Daves confirmou o regresso do país aos mercados. A necessidade de endividamento ronda os 11,8 mil milhões de dólares, que serão divididos em "várias fontes de financiamento, emissão no mercado doméstico, obrigações do Tesouro, desembolsos de financiamento e também ida aos mercados", refere.

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