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Defesa

Bispo brasileiro Honorilton Gonçalves confiante na justiça por não ter cometido “nenhum crime”

O bispo brasileiro Honorilton Gonçalves da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que começou a ser julgado, em Luanda, manifestou-se confiante na justiça angolana, convicto de que não cometeu “nenhum crime".

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"Quanto a gente tem convicção de que não cometemos nenhum crime e estamos sendo acusados injustamente, então nós temos paz", disse Honorilton Gonçalves, ex-líder espiritual da IURD em Angola, substituído pelo bispo angolano Alberto Segunda, actualmente à frente da direcção da igreja, agora liderada apenas por angolanos.

Ao lado do coarguido António Ferraz, bispo angolano, Honorilton Gonçalves afirmou estarem "fortalecidos pelo próprio Deus". "É essa a nossa sensação nesse primeiro dia do tribunal", salientou.
"Tem um ditado popular que diz que quem não deve não teme, então, o espírito santo nos dá esse conforto, nos fortalece. Nós estamos convictos que vai correr tudo bem", reforçou o bispo António Ferraz.

Segundo Honorilton Gonçalves, os factos, os depoimentos, vão mostrar que não houve crime da sua parte. "Não houve nenhum crime da nossa parte", declarou o bispo brasileiro, aproveitando a ocasião para "reparar um mal-entendido" com o advogado David Mendes.

Na sessão de julgamento, marcado por questões prévias, o advogado da acusação David Mendes acusou o arguido de o ter ofendido, chamando-o de "criminoso".

"Ele estava chegando ao tribunal e eu estava com os advogados e com o cônsul do Brasil e a minha esposa também, éramos cinco ou seis pessoas, ele chegou, estava do nosso lado e eu dei bom dia para o deputado, quando dei bom dia ele se virou para mim com agressividade, eu disse para ele que não sou criminoso", contou. Para o arguido, o advogado talvez "tenha se equivocado, principalmente por causa da tonalidade da voz".

Durante a sessão, uma das questões prévias levantadas pela defesa dos arguidos teve a ver com uma solicitação para a retirada das medidas de coação impostas aos seus constituintes, que o tribunal decidiu manter por enquanto, prometendo responder nos próximos tempos.

Sobre o assunto, o bispo brasileiro manifestou-se confiante de que a melhor decisão será tomada pelas autoridades.

Para os fiéis, os bispos deixaram uma mensagem de paz e de confiança na vitória. "Nós sabemos que a luta é muito grande, sabemos que os desafios também", referiu Honorilton Gonçalves, recorrendo à passagem bíblica que diz que "em tempos de tribulação também há glória". "Não é só nas conquistas, quando tudo está bem, nos gloriamos também nas tribulações, que trazem perseverança e a perseverança a experiência e a experiência esperança", frisou.

Relativamente ao arguido ausente, o pastor brasileiro Rodrigo César Ferreira do Carmo, o bispo explicou que foi expulso do país, ficando a saber já fora de Angola que era arguido. "Tentou regressar, mas estava expulso. O visto venceu e ele não conseguiu voltar", acrescentou.

O bispo Valente Bezerra, líder reconhecido pelas autoridades angolanas da IURD Angola, expressou à Lusa a sua satisfação pelo início do julgamento.

"Os declarantes, ofendidos, estamos a falar aí no número de quase 100 pessoas. Ao longo de muitos anos ouvíamos que a extinta liderança dizia que nós podíamos nos queixar aonde quiséssemos que nunca eles seriam chamados a tribunal. Ver a extinta liderança sentada nos bancos dos réus, começo a parabenizar a justiça angolana, até que enfim", referiu.

Valente Bezerra disse ter "plena certeza" de que justiça será feita, porque "os crimes falam por si".

"Não precisa nem ser um perito na matéria para poder condenar, simplesmente ouvir os crimes que são citados na denúncia pública que nós fizemos e hoje se transformou em julgamento, são crimes claros que não deixam dúvida a qualquer um", vincou.

O caso remonta a 2019, quando um grupo de pastores angolanos afastou a direcção brasileira, com várias acusações, nomeadamente da evasão de divisas, racismo, prática obrigatória de vasectomia, entre outras, todas recusadas pelos missionários da igreja criada pelo brasileiro Edir Macedo, que acusam também os angolanos de actos de xenofobia e agressões.

No decurso da situação, marcada também pela tomada à força de templos em todo o país pelos bispos angolanos, a justiça angolana decretou o encerramento dos templos, tendo igualmente alguns demissionários sido convidados a abandonar o território nacional.

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