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CASA-CE propõe debate sobre opressão e repressão de manifestações

A coligação CASA-CE propôs um debate “com carácter de urgência" sobre a opressão e repressão de manifestações, depois da morte de um jovem durante um protesto na semana passada.

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Num comunicado a que a Lusa teve acesso, o presidente do grupo parlamentar da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), Alexandre Sebastião André, solicitou a realização de um debate “com carácter de urgência”, “sob o tema ‘o exercício dos direitos de cidadania versus opressão e a repressão das manifestações”.

“A referida proposta surge da necessidade urgente de um debate parlamentar sobre a actual situação, bem como do necessário envolvimento da Assembleia Nacional em busca de caminhos para a solução dos problemas”, refere a proposta.

Na passada Sexta-feira, a mesma coligação tinha condenado a “violência gratuita” da polícia contra "cidadãos indefesos", numa manifestação na Quarta-feira, em Luanda, que resultou na morte de um manifestante.

A vice-presidente para a Comunicação e Marketing da CASA-CE, Cesinanda Xavier, defendeu que a sua coligação e os angolanos precisam de uma explicação sobre a morte do jovem manifestante, defendendo um "inquérito para se punir os responsáveis”.

"Todos nós queremos saber a razão do porquê da morte deste cidadão. Uma morte é sempre uma morte, e não se deve enveredar pela violência gratuita, porque os cidadãos estavam indefesos e a polícia vai armada", disse, então, em entrevista à Lusa.

Para Cesinanda Xavier, "não há necessidade do uso de uma força extrema a ponto de se retirar uma vida e sobretudo uma vida jovem".

Polícia e activistas divergem quanto às causas da morte do jovem, um estudante universitário de 26 anos, com manifestantes a afirmar que ele foi baleado na cabeça, tendo morte imediata, enquanto as forças policiais negam ter usado balas e um responsável hospitalar afirmou que o homem deu entrada no hospital ainda vivo, com sinais de ter sofrido um traumatismo craniano por um "objecto contundente", mas viria a morrer após uma intervenção cirúrgica.

Cesinanda Xavier, também vice-presidente do grupo parlamentar da CASA-CE, disse ainda que todas essas manifestações e toda a condição de degradação social, económica e política do país "devem carecer de resolução imediata do executivo angolano".

"Partimos do princípio de que as manifestações são um direito dos cidadãos e face à degradação social no ponto em que encontra, é natural que as pessoas se queiram manifestar como pressão para que o executivo melhore as condições de vida dos cidadãos, sobretudo dos jovens", rematou a deputada angolana.

A manifestação, promovida pelos mesmos organizadores que já tinham visto um protesto reprimido pela polícia no mês passado, pretendia reclamar melhores condições de vida e a realização das primeiras eleições autárquicas em 2021, depois de terem sido adiadas este ano devido à covid-19.