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Economia

Eaglestone: É preciso fazer mais para diversificar a economia de Angola

O economista-chefe da consultora Eaglestone disse à Lusa que apesar dos esforços do Governo, é preciso mais para que Angola consiga diversificar a economia e reduzir a elevada dependência das exportações do petróleo.

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"O Governo continua focado em diversificar a economia, mas é preciso fazer mais", disse Tiago Dionísio à Lusa quando questionado sobre se a criação de condições para a aposta noutros sectores da economia é uma prioridade para o Governo de João Lourenço.

"O sector do petróleo representa hoje em dia cerca de um terço do PIB de Angola e cerca da 50 por cento das receitas públicas, o que compara com 46 por cento e entre 75 a 80 por cento, respectivamente, há uma década e reflecte principalmente a forte queda dos preços do petróleo e da produção nos últimos anos", disse o economista-chefe da consultora Eaglestone.

Angola, afirmou, "continua altamente dependente das exportações de petróleo, que representam mais de 95 por cento do total, o que tem fortes implicações para as contas externas do país e reduz a evolução da taxa de câmbio".

Nas declarações à Lusa na semana em que se assinalam os 45 anos da independência de Angola, Tiago Dionísio perspectivou "alguma recuperação económica em 2021, ou pelo menos uma estagnação" e justificou a previsão "com a dissipação do impacto negativo da pandemia de covid-19".

Os preços do petróleo, no entanto, vão manter-se relativamente baixos e a produção de crude no país vai continuar a cair, "o que significa que a esperada recuperação no sector não petrolífero no próximo ano vai provavelmente ser insuficiente para compensar o declínio na actividade petrolífera".

A reestruturação da economia é, por isso, essenciais para equilibrar as finanças públicas de Angola, defende o analista: "Acelerar as reformas estruturais, melhorar a governação e continuar a luta contra a corrupção continuam a ser cruciais para melhorar o sentimento dos investidores e atrair investimento directo estrangeiro, já que estas medidas poderiam ajudar a melhorar o crescimento no sector não petrolífero e, no limite, a perspectiva económica global do país", disse Tiago Dionísio quando questionado sobre a evolução da economia a médio prazo.

As reformas, concluiu, têm de continuar nos próximos anos porque "manter um caminho de consolidação orçamental e redução da dívida pública, baixar a inflação, completar a transição para um regime cambial flexível e melhorar a governação são alguns exemplos do que poderia alavancar a diversificar e assim melhorar as perspetivas de crescimento a médio e longo prazo".

 

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