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Educação

Professores universitários anunciam greve para reivindicar aumentos e subsídios

O Sindicato dos Professores do Ensino Superior (Sinpes) anunciou esta Quarta-feira “greve por tempo indeterminado” a partir de 4 de Novembro, para reivindicar “aumento salarial, subsídio de saúde, fundos para investigação científica”, entre outras solicitações.

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Segundo o secretário-geral do Sinpes, Eduardo Peres Alberto, a greve será decretada no dia 29 deste mês, e entra em vigor cinco dias depois, sendo motivada sobretudo pelo "silêncio das autoridades" em responder o caderno reivindicativo de 12 de Maio de 2018.

"Por razões alheias à nossa vontade as negociações não continuaram, há um silêncio agora por parte do Ministério (do Ensino Superior) e há ainda determinados pontos do caderno reivindicativo, tal como a questão salarial, a questão das infra-estruturas, falta de seguro de saúde dos professores" que não foram atendidos, disse à Lusa o responsável.

A falta de fundos para a investigação científica e extensão universitária e da formação contínua dos docentes constam também entre as reivindicações dos docentes angolanos.

O "incumprimento" de algumas deliberações aprovadas em assembleia geral de Maio de 2018, nomeadamente a realização de eleições para reitores, decanos e directores de instituições públicas do ensino superior norteia igualmente as inquietações do Sinpes.

"Mas isso (eleições nas instituições do ensino superior) não acontece até hoje, mesmo após ouvirmos os pronunciamentos do Presidente da República em 2019, daí que vamos declarar greve, porque não queremos ser coniventes da má qualidade de ensino em Angola", afirmou Eduardo Peres Alberto.

Questionado sobre o montante global da dívida, há anos reclamada, que o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) tem para com os docentes, o sindicalista deu conta que a mesma foi apenas liquidada a 70 por cento.

"Uma parte da dívida, 70 por cento foi sanada, mas ainda temos questões pendentes, porque até neste momento o Ministério não consegue apresentar o relatório do pagamento da dívida há um ano", explicou o também docente.

O Sinpes diz, em nota informativa oficial sobre a declaração da greve, que remeteu a 25 de Agosto passado uma nota ao MESCTI para o "cumprimento das deliberações e um caderno reivindicativo actualizado", onde apresentava uma moratória de 60 dias, mas persiste um "silêncio campal" daquele órgão.

"Ante ao silêncio campal do MESCTI sobre o referido documento e da posição do Sinpes, resta somente reforçar a posição tomada e manter a prontidão. Pelo que apelamos a todos os docentes o espírito de classe tendo com sustentação os aspectos não resolvidos", lê-se na nota.

O Presidente reconheceu, no passado dia 5 deste mês, que, "apesar dos esforços que têm sido empreendidos", ainda é uma realidade a "escassez de docentes e funcionários administrativos" para responderem às necessidades específicas de cada instituição de ensino superior em Angola.

João Lourenço, que discursava na cerimónia de abertura oficial do ano académico 2021/2022, assumiu que "há ainda um grande caminho a percorrer para o aumento do corpo docente e de funcionários administrativos em tempo integral".

"De modo a obtermos o rácio docente/estudantes mais próximo dos recomendados internacionalmente", afirmou o chefe de Estado no decurso da abertura desta cerimónia que decorreu na província do Bié, região centro/sul de Angola.