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UNITA nega tentativa de destituição do presidente do partido

A direcção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) negou esta Quarta-feira qualquer tentativa de destituição do seu líder, referindo tratar-se de “inflamação de situações mal geridas” por dois militantes alvo de processo disciplinar.

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Segundo o secretário-geral da UNITA, Álvaro Chikuamanga, dois jovens, quadros do partido, têm estado a ser ouvidos pelo Conselho Nacional de Jurisdição e Auditoria (CNJA) no âmbito de um processo disciplinar.

"O que se está a passar é que alguns quadros estão a ser ouvidos para se resolver um problema de relação entre militantes e as estruturas de base de que eles fazem parte, portanto é um processo normal, disciplinar, previsto no nosso estatuto", afirmou o político em declarações à Lusa.

Álvaro Chikuamanga, que admite "ter havido se calhar um excesso na redacção" da informação, refere que a acção do CNJA "visa apenas combater este problema de indisciplina no seio do partido e que algumas reuniões paralelas desencadeiam agendas em fóruns impróprios".

Mas, assegurou, "não há de facto uma tendência ou um facto que evidencie que um grupo de pessoas queira destituir o presidente, não têm como o fazer, o nosso estatuto não prevê que um grupo de militantes, dois ou três, consiga destituir o presidente".

Adalberto da Costa Júnior é o actual presidente da UNITA, eleito durante o XIII ordinário do partido, realizado em Novembro passado, em substituição de Isaías Samakuva.

Duas deliberações do CNJA, que circulam nas redes sociais, dão conta da suspensão de dois membros da UNITA, nomeadamente Eusébio Manuel Neves e Domingos Yofina, por supostamente criarem uma comissão que visava destituir Adalberto da Costa Júnior.

De acordo com as deliberações, que falam de "infracções graves", a pretensa comissão criada por estes dois membros do partido visava eleger Rafael Massanga Savimbi, filho do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, como presidente do partido e cabeça de lista para as próximas eleições gerais em Angola.

Segundo Álvaro Chikuamanga, os jovens implicados terão partilhado as deliberações para as redes sociais perante a decisão do CNJA e "alguns fizeram aproveitamento disso".

"Eles são ouvidos porque fazem parte de um órgão, que é a comissão política, onde deviam trazer aquilo que eles têm como situações, quando abordam esses assuntos fora do fórum a que pertencem é um acto de indisciplina", destacou.

"O que está a aparecer é a ideia de que querem destituir o presidente, ora se esta é a intenção duas pessoas não podem fazê-lo e se o querem devem justificar o porquê, não é motivo de reuniões nos bairros", observou.

Segundo o responsável, "para dar mais força, até se envolvem nomes que nada têm a ver com esse processo, portanto não há nenhuma situação dentro do partido que configure destituição do presidente do partido, são inflamações de situações mal geridas".