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Carlos Rosado de Carvalho: alívio da dívida é positivo, mas falta saber como será feito o pagamento

A reestruturação da dívida alivia a pressão sobre as contas nacionais, mas “é preciso pagar este empréstimo” e não se sabe exatamente em que condições, disse o economista Carlos Rosado de Carvalho, mostrando-se preocupado com a divida à China.

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A ministra das Finanças, Vera Daves, anunciou na Sexta-feira que a renegociação da dívida, dentro e fora do G20, permite poupar 6 mil milhões de dólares até 2023 e adiantou que o principal credor é a China, a quem Angola deve 20,1 mil milhões de dólares.

Para Carlos Rosado de Carvalho, este é um alívio bem-vindo, mas realçou que se está apenas a adiar o problema do pagamento da dívida.
"É um alívio, sim, não seria possível executar o orçamento sem esta reestruturação, mas não se sabe em que consiste esta moratória. Os pagamentos são suspensos? Vão acumular juros? É preciso saber porque isto na prática é um empréstimo", observou.

Na realidade, "não se trata de uma poupança, é uma suspensão da dívida que terá de ser paga depois e não sabemos pormenores", sobretudo no que diz respeito à China.

"Com a China não se sabe como vão ser feitos os pagamentos", disse o economista, acrescentando que os detalhes do acordo com o Fundo Monetário Internacional, que anunciou na Quarta-feira o desembolso de mais mil milhões de dólares deverão ser conhecidos nos próximos dias.

O também jornalista e professor universitário destacou que o desfecho positivo da terceira avaliação do FMI ao programa de assistência financeira a Angola se traduz numa mensagem muito importante, a de que "a divida é sustentável, a ponto de emprestarem mais dinheiro.

Já do lado chinês, domina "a opacidade" nos acordos. "O problema são os empréstimos chineses e a opacidade à volta de tudo isto. Com o FMI vamos saber em breve o que mudou, sabemos que emprestando mais dinheiro se esperam reformas, mas com os chineses não se sabe o que exigiram, quais são as contrapartidas, se exigiram activos, por exemplo", justificou.

E se o facto de se saber qual montante da dívida à China é positivo, o desconhecimento quanto às condições da moratória preocupa Carlos Rosado. "Tenho dúvidas. Porque não conhecemos as condições, não sabemos quais são as contrapartidas", insistiu.

Numa conferência de imprensa em Luanda, na Sexta-feira, Vera Daves, salientou que Angola está "no caminho certo" e que a dívida pública, "apesar de estar sujeita a grande pressão, continua sustentável", trazendo "tranquilidade no médio e longo prazo".

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