Congoleses que saíram de Angola queixam-se de falta de condições no Kasai

Alguns dos milhares de repatriados congoleses de Angola manifestaram-se contra as condições de vida a que estão sujeitos na República Democrática do Congo (RDCongo), mostrando um homem que terá morrido de fome e frio.
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"Este homem morreu ontem [Quinta-feira] de fome e frio; viemos de Angola com ele desde o dia 18 de Agosto, dormimos sob as estrelas e não temos nada para comer", disse Ndaye Sage, que se apresentou aos jornalistas da agência France-Presse como representante de um grupo de cerca de cem congoleses que regressou ao seu país.

A manifestação decorreu à porta do governador da província de Kasai Central, com fortes críticas ao governador, Martin Kabuya, a quem acusam de os ter obrigado a regressar à RDCongo com promessas de melhores condições de vida que não se cumpriram, num protesto que decorreu de forma pacífica.

Desde 20 de Agosto, cerca de 13 mil ex-refugiados congoleses de Angola chegaram à província de Kasai Central, segundo a Direcção Geral das Migrações da RDCongo, tendo cinco mil pessoas sido transportadas para Kanananga em camiões alugados pelo governo provincial.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou em Agosto que este movimento de pessoas se explica pela melhoria de condições de segurança na região de Kasai, devastado por um conflito civil que deixou pelo menos 3000 pessoas mortas e 1,4 milhões deslocadas, incluindo 37.000 refugiados em Angola.

Em Outubro de 2018, as autoridades angolanas expulsaram dezenas de milhares de estrangeiros durante a Operação Transparência, criada para combater o tráfico de diamantes.

Cerca de 380 mil imigrantes ilegais, na sua maioria provenientes da RDCongo, deixaram Angola em menos de um mês, de acordo com Luanda.

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