Alexa Tomás: “A moda é criatividade e o importante é aquilo que se veste potenciar quem somos”

Tem 32 anos e é a figura incontornável da moda na província do Huambo. Alexa Tomás, a estilista que representa a prestigiada marca “WE Dú” no Huambo, inspira-se na elegância da mulher para criar as suas peças. Com um estilo “refinado e festivo”, a jovem recorda as suas participações no Angola Fashion Week, o maior evento de moda do país, como uma das experiências mais marcantes na sua carreira. Alexa ambiciona expandir o seu trabalho, através da inovação, e aconselha formação aos jovens que sonham com corte e costura.
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Alexa, fale um pouco sobre si... Onde nasceu, cresceu, onde se formou, que idade tem...

Tenho 32 anos, nasci e cresci no Huambo, e passei parte da minha adolescência na República do Zimbabwe, onde terminei o ensino secundário em Ciências Económicas e Marketing. Voltei a Angola e fiz a licenciatura em Psicologia da Educação, na Universidade Agostinho Neto.

Como e quando surgiu o gosto pela moda?

O gosto pela moda surgiu já desde tenra idade, mas manifestou-se no Zimbabwe, durante as aulas de pintura em Batiki, que nada tinha a ver com corte e costura, mas sim desenhos de padrões em tecidos, pinturas em tela e outras. Fui roubando os tempos mortos destas aulas, para fazer designs de roupas, na altura inspirada em algumas celebridades norte-americanas, bem como nalgumas estilistas, como Donatella Versace, Carolina Herrera, Vera Wang e outras.

Montei um atelier no meu dormitório, comprei equipamentos, máquina, kit de costuras e alguns acessórios e passei a transformar os designs em produtos acabados, o que despertou a atenção de muitos, quando comecei a usar as peças feitas por mim.

Desde aí comecei a receber encomendas, de amigas e colegas de escola, até voltar a Angola, em 2006, onde fiz várias apresentações dos meus trabalhos, no Huambo, o que despertou interesse de muitos apreciadores e amantes de moda, bem como, incentivou muitos que tinham essa habilidade, no sentido de passarem a trabalhar mais nesta vertente.

No momento de criar quem ou o que é que a inspira? Quais são as suas referências?

Inspiro-me na elegância da mulher muito bem apresentada. As minhas referências inicialmente foram Donatella Versace, Carolina Herrera, Vera Wang e Coco Chanel.

Como se define o estilo de Alexa Tomás?

Refinado e festivo.

Nas suas colecções, normalmente quem é o público-alvo? Mulheres, homens, crianças?

Mulheres.

Quais as experiências mais marcantes, positivas e negativas, desde que ingressou no mundo da moda?

Experiências mais marcantes foram as minhas participações no maior evento de moda de Angola, o Angola Fashion Week, desde 2011 a 2015, consecutivamente. Cada ano superou o outro, o trabalho foi melhorando, e as expectativas cada vez maiores. Outro facto marcante, foi ter vestido algumas celebridades internacionais, como o actor Rafael Zulu e a actriz Sheron Menezes, ambos brasileiros.

Experiência negativa foi a parte de certas pessoas levarem artigos e até hoje não pagarem por eles.

Este ano a Alexa tornou-se a estilista oficial da marca “WE Dú” na província do Huambo. Como surgiu essa parceria, e o que significa para si representar uma marca tão prestigiada?

Para mim é uma grande honra ser representante de tão prestigiada marca. A parceria surgiu após um convite, feito por mim ao proprietário da marca, o Coreon Dú, para uma gala da mulher empreendedora na qual sou mentora, onde a sua equipa denotou certas habilidades comerciais, e também já ouviam dizer que eu era a grande referência da moda, na minha província. Com isyo, decidiram fazer-me a proposta de representação da marca. Analisei as propostas apresentadas, eram viáveis e aceitei logo.

Como vê a moda em Angola? E como tem sido a adesão às suas criações por parte do público?

A moda em Angola tem dado passos galopantes, e o mercado cada vez mais exigente e agressivo. Os criadores são cada vez mais irreverentes e inovadores.

As minhas criações têm sido bem aceites. Agora tenho parceria com uma design asiática, que tem desenvolvido os meus trabalhos, o que tem dado de certo modo um toque diferente e mais profissional às minhas peças.

Já foi premiada pelo seu trabalho como estilista? Qual o prémio que mais ambiciona?

Sim, fui vencedora do prémio “Estilista Revelação”, no Huambo Fashion Week, bem como do prémio “Prestigious Award”, da agência Hadja Models.

Para já não ambiciono prémio nenhum, mas ambiciono sim expandir o meu trabalho e inovar cada vez mais.

Diga-me dois ou três exemplos de peças que lhe tenham dado um especial prazer em criar.

Um conjunto de saia e blusa, com o símbolo da mulher Africana; um vestido colado ao corpo, todo trabalhado em lantejoilas e pedrinhas de cristais; um vestido de noiva colorido, no tom verde natureza, em formato de rosa. 

Quem é que gostava de vestir?

A minha mãe.

Qual foi o pedido mais extravagante que um cliente lhe fez?

Foram uns boxers… (risos) Essa encomenda foi pedida por um cliente de nacionalidade portuguesa.

Tem projectos para o futuro?

Pretendo expandir a minha marca pelo país e quiçá pelo mundo. Agora com esta nova parceria tenho feito os meus trabalhos em Guangzhou [cidade chinesa], onde tenho montado o meu novo atelier, por falta de condições na minha província, a nível de acessórios e certos tipos de tecidos, bem como recursos humanos, capazes de seguir os designs tal como idealizados.

Que conselho daria a um ou uma jovem estilista, que está a dar os primeiros passos no mundo da moda?

Formação, pois o mercado hoje não é para simples curiosos como eu… (risos) Mas sim para verdadeiros profissionais, que sabem realmente o que estão a fazer, e como devem fazer. Por isso, aconselho a apostarem na formação em corte e costura, estilismo e design. Eu não tive formação, apenas desenvolvi uma habilidade que descobri em mim, mas isso limita-me de certa forma em algumas situações, daí a necessidade de buscar parceria para certos trabalhos, e estar sempre bem informada sobre as tendências, para melhorar a inspiração.

Por fim, para si qual é o poder da moda?

Para mim é criatividade. Mas nos dias de hoje, a moda torna-se uma ferramenta de construção de imagem tão relevante de tal forma que, bem gerida, trabalhada e aplicada, pode ajudar no alcance de metas e objectivos, nas vertentes pessoal e profissional. O importante realmente é que aquilo que se veste, potencie quem somos, com respeito pelas características e especificidades individuais, e permita aproximarmo-nos de quem queremos ser, num caminho de optimização constante, sem quebras de regras sociais, e muito menos quedas de atentado ao pudor público.

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